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Organização ambientalista GEOTA diz que UNESCO "fez frete" ao Governo e EDP

Organização ambientalista GEOTA diz que UNESCO "fez frete" ao Governo e EDP

A Organização Não Governamental ambientalista GEOTA considerou, esta quarta-feira, que a UNESCO "fez um frete" ao Governo e à EDP, ao permitir a construção da Barragem de Foz Tua, "uma verdadeira barbaridade".

Fonte do Ministério da Agricultura, Ambiente, Mar e Ordenamento disse hoje à agência Lusa que o relatório da missão da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura) no Douro concluiu que a construção da Barragem de Foz Tua, "de acordo com o projeto revisto, é compatível com a manutenção do Alto Douro Vinhateiro na lista do Património Mundial".

Reagindo à Lusa, o presidente da comissão executiva do Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente (GEOTA), Joanaz de Melo, afirmou que "o Governo conseguiu convencer a UNESCO a fazer o frete à EDP e ao Estado português" e a "desprezar a fundamentação técnica" que, segundo a ONG ambientalista, atesta que a obra "é uma verdadeira barbaridade".

"Não só a barragem choca brutalmente com a paisagem do Douro, como, pior do que isso, destrói o Vale do Tua, destrói as hipóteses de turismo de qualidade e de um desenvolvimento local sustentável", advogou o dirigente do GEOTA, acrescentando que a empreitada "vai afetar a produção de vinho do Porto e é completamente inútil para o país, vai custar caríssima aos portugueses".

Joanaz de Melo sustentou que "a barragem não é necessária para a potência disponível em Portugal, para a produção de energia", sendo que "cada kilowatt/hora produzido é dez vezes mais caro" do que as energias renováveis.

"O Governo acaba, há cerca de dois meses, de oferecer às empresas elétricas subsídios para a construção de barragens inúteis", enfatizou, defendendo que "seria muito mais barato parar" a obra.

O Douro foi distinguido como Património Mundial da Humanidade em 2001.

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A barragem, entre os concelhos de Alijó e Carrazeda de Ansiães, vai ocupar 2,9 hectares do Alto Douro Vinhateiro, o que representa 0,001 por cento do total da área classificada.

A missão da UNESCO concluiu, de acordo com o Governo, que a barragem tem um "impacto visual reduzido" no Alto Douro Vinhateiro, "na sua integridade e autenticidade, quer ao nível da paisagem quer ao nível do processo vitivinícola".

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