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Pescadores impedidos de irem ao mar queixam-se de prejuízos

Pescadores impedidos de irem ao mar queixam-se de prejuízos

O mau tempo das últimas semanas tem provocado prejuízos aos armadores de pesca que, além de não irem ao mar, veem o mau tempo destruir-lhes os equipamentos. As queixas feitas pelos pescadores de Vila Praia de Âncora são, esta quinta-feira, reiteradas pelos profissionais da Nazaré e do Algarve.

Humberto Gomes, da Associação de Armadores de Pesca da Fuzeta, comunidade piscatória do concelho de Olhão, disse à Lusa que a situação "está mal", porque "ninguém vai ao mar há 15 ou 20 dias" devido ao mau tempo e também por causa dos problemas de assoreamento da barra local. Um testemunho que reitera as queixas já feitas pelos pescadores de Vila Praia de Âncora, que estão em terra desde 12 de dezembro.

Segundo Humberto Gomes, na Fuzeta existem dois problemas: se está mau tempo, não podem ir para o mar, e se está bom tempo estão dependentes da maré cheia para poderem sair, porque a barra está assoreada.

O dirigente da Associação de Armadores da Fuzeta explicou que só na sua zona estão em causa perto de duas dezenas de barcos e as consequências do mau tempo fazem-se também sentir junto dos mariscadores que apanham conquilhas com o arrasto.

"Os da conquilha ainda estão piores, porque já desde antes do Natal que não vão [para o mar]. Estava muita vaga e não podiam arrastar, porque eles arrastam junto à costa. Nos do polvo, são cerca de 20 barcos", contabilizou.

Humberto Gomes frisou que os armadores continuam a suportar despesas fixas mesmo sem irem ao mar, como os "seguros de pessoal e dos barcos", que fazem com se esteja "sempre a gastar" dinheiro mesmo sem atividade.

Nazaré sem farolim no molho norte

Também na Nazaré, os pescadores estimam uma quebra de rendimentos na ordem dos 50% no mês de janeiro devido ao mau tempo e forte ondulação das últimas semanas, que impediu os barcos de irem ao mar desde o Natal.

"Alguns pescadores começaram na terça e na quarta-feira a retomar a faina, mas vai ser difícil recuperar os prejuízos, que devem ascender aos 50%,", disse à Lusa João Delgado, da Mútua dos Pescadores.

Apesar de a barra do porto da Nazaré não ter fechado, "o mau tempo e a forte ondulação não permitiram o nosso tipo de pesca, que é feita muito próximo da costa", o que impede os pescadores de "garantirem aquele que é o seu único sustento", explicou.

Esta situação foi agravada pelo facto de os pescadores terem visto, nos últimos dois dias, goradas as expectativas de, "a seguir à agitação marítima, haver grandes quantidades de peixe de escama, como o sargo, o robalo ou a dourada", acrescentou João Delgado.

Na vila, onde a maioria das embarcações tem menos de nove metros, os prejuízos estendem-se "às artes que estão permanentemente no mar, como as armadilhas para o polvo, que sofreram danos muitos avultados", explicou.

"É necessário, em conjunto, delinear soluções para fazer face a estas situações em que há estragos avultados", as quais, segundo João Delgado, poderão passar pela "criação de um fundo (...) e regulamentação dos preços do pescado em lota".

Além dos prejuízos para os pescadores, a forte ondulação dos últimos dias agravou, também, a segurança do porto da Nazaré, onde, segundo João Delgado, "foi necessário retirar o farolim do molho Norte para que não ficasse danificado pelas ondas e isso pode representar um grande perigo para as embarcações".

A situação que se vive na Fuzeta tem-se repetido "por toda a região do Algarve e de norte a sul do país", frisou, por seu turno, Josué Marques, do Sindicato das Pescas do Algarve, que apelou à tomada de medidas compensatórias para os trabalhadores que estão impedidos de ir ao mar há duas ou três semanas.

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