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Pólos atraem dez cientistas portugueses

Pólos atraem dez cientistas portugueses

Os trabalhos de portugueses em ciências polares têm começado a afirmar-se no cenário internacional. De muito poucos como ponto de partida, os investigadores começam a criar massa crítica. Novos bolseiros vão juntar-se à pesquisa.

Seis jovens investigadores vão receber bolsas para um melhor conhecimento da Antárctida, aliando-se a uma também jovem geração de cientistas portugueses que há menos de uma década começou a estudar as zonas polares. Eles integrar-se-ão em equipas internacionais mas terão projectos próprios e farão trabalho "no terreno". Isso pode significar meses de cruzeiros em mares quase gelados ou o estacionamento em bases que têm como vizinhança o Pólo Sul.

Será este o caso de José Xavier, que vai fazer dois cruzeiros de investigação entre Fevereiro e Abril e estacionará entre Abril e Novembro numa ilha para estudar punguins e albatrozes. Este biólogo marinho, que integra o Centro de Ciências do Mar da Universidade do Algarve, vai cooperar com a missão britânica para a Antárctida . Ele já esteve quatro vezes nesta região e aí deu início ao seu projecto, que consiste no estudo da cadeia alimentar. Para tanto, determina espécies e quantidades existentes nas águas junto aos gelos, depois em mar aberto e também numa faixa em que águas muito frias encontram as águas mais quentes. Para estudar a cadeia alimentar nos mares (desde o plâncton, ao crill, lulas ou baleias) José Xavier faz também a caracterização das populações de pinguins-rei e de albatrozes, que se alimentam nos mares. Das pesquisas nas suas missões anteriores é já possível concluir que a biodiversidade aumenta nas águas à medida que se navega para Norte e que a pesca intensiva que quebre um elo da cadeia alimentar pode pôr em risco muitas outras espécies. As alterações climáticas são outro objecto do estudo.

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Também bióloga marinha, Sílvia Lourenço dedicará a sua pesquisa aos peixes que existem em toda a coluna de água e que, com o crill são a base da cadeia alimentar na zona da Antárctida designada como Mar da Escócia. Isto implica expedições, mas também trabalho de análise de dados, o que fará "junto de investigadores de topo" da missão britânica para a Antárctida, em Cambridge. Uma das seis bolsas ontem atribuídas pela Caixa Geral de Depósitos destina-se a este trabalho, que durará entre um a dois anos.

O Ano Polar Internacional (que terminará dentro de dois meses e que, na verdade, durou dois anos) já cativou muitos jovens estudantes para a pesquisa científica nas regiões geladas do globo. É o caso de Miguel Guerreiro, ontem presente na sessão de apresentação das bolsas "Nova Geração de Cientistas Polares". Com um documentário ganhou um concurso para estudantes a nível nacional e viajou por duas semanas até à base Esperança, a Sul da Argentina. Pensava em ser biólogo, sim, mas mais dedicado aos trópicos. Agora, aos 19 anos, tem uma certeza, confessada ao JN: "Quero seguir as pisadas de José Xavier".

De malas quase aviadas para as Ilhas Shetland do Sul está Gonçalo Vieira, o impulsionador das actividades do Ano Polar Internacional em Portugal, e que tem vindo a estabelecer parcerias com equipas de outros países. O seu objecto de estudo têm sido os terrenos eternamente gelados junto à Antárctida e que o têm levado a diversas expedições à região. As perfurações aí feitas, algumas a 25 metros de profundidade, vão permitir estudar alterações climáticas no passado e entender fenómenos semelhantes que estejam a ocorrer agora.

A atenção que vem sendo dada a este tipo de pesquisas visa criar um conjunto de peritos em ciências dos pólos com reconhecido mérito internacional, o que parece estar a acontecer. A evolução do clima e dos recursos marinhos nos pólos fornece pistas ambientais sobre o resto do planeta.

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