Natal

Portugueses limitam prendas de Natal a coisas úteis para as crianças

Portugueses limitam prendas de Natal a coisas úteis para as crianças

Os portugueses vão conter-se nos gastos com prendas e alimentação neste Natal. As crianças estão no centro das preocupações dos orçamentos familiares emagrecidos pelo pessimismo ou pela crise.

Entre -35% e -13,5% é quanto os portugueses vão cortar aos gastos neste Natal, consoante o estudo, da Deloitte ou do Observatório Cetelem, respetivamente. Os inquéritos foram efetuados entre o final de setembro e o início de outubro - antes de ser conhecido o agravamento fiscal que o Orçamento do Estado impõe para 2013 -, pelo que a realidade pode ser ainda mais radical.

Preocupados com a situação económica futura, com menos rendimentos do que há um ano ou sem subsídio de Natal, como sucedeu aos funcionários públicos, os portugueses sabem que não podem esbanjar: "As prendas vão limitar-se às dos miúdos e terão de ser coisas de que precisam", lamenta Jorge Manuel, funcionário de uma empresa do Estado.

As crianças são a principal preocupação de quem vai fazer compras de Natal: 51% do orçamento de prendas é-lhes destinado, segundo a Deloitte. Ou seja, 119 dos 233 euros do orçamento de prendas destinam-se aos mais novos. O Observatório Cetelem encontrou portugueses ainda mais poupados: o orçamento total para prendas é de 126 euros e um em cada cinco portugueses só pensa gastar, no máximo, 75 euros. "Proibi-me de fazer compras. O subsídio de Natal está de lado para os dias da fome. Já comprei para as minhas filhas há mais de um mês, os grandes não vão ter direito a nada", relata Maria Monteiro, trabalhadora dos quadros de uma empresa no Porto.

Vasco Mello, da Confederação do Comércio e Serviços, acredita que a componente psicológica da crise, a par do desemprego mais elevado de sempre das últimas décadas, será culpada das fracas vendas no comércio tradicional nesta estação. "Talvez sejam compensadas durante os saldos, o que já sucedeu no ano passado", aponta.

Quase todos os portugueses (68%) terão feito as compras de Natal entre o mês de novembro e a primeira quinzena de dezembro e só 19% as farão em cima da hora, aponta a pesquisa internacional da Deloitte.

A mesma fonte indica que 79% dos portugueses vai comprar artigos em saldos e 42% pensa oferecer artigos em segunda mão. O Observador Cetelem nota que são os habitantes da região Centro que mais intenções demonstram em manter a mesma despesa do ano anterior (37%) e os do Norte os que têm maior intenção de a reduzir (86%).

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