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Pressão sobre mares destrói-lhes a vida

Pressão sobre mares destrói-lhes a vida

A convergência de pressões sobre os oceanos está a provocar a erosão global da biodiversidade marinha, advertem cientistas reunidos em conferência internacional. Mas ainda há nos mares enorme potencialidade de vida.

Pressões como a das pescas e a extracção de outros recursos marinhos estão a acelerar a perda de biodiversidade, também ameaçada pelo degelo no Árctico e pelo esfarelamento dos bancos de corais. Este um alerta lançado ontem durante a abertura da Conferência Mundial sobre Biodiversidade Marinha, reunida em Valência, Espanha. Um dos sinais de ameaça é visível também no avanço de espécies invasivas de macro-algas, favorecidas pelo aquecimento, eque progridem à razão de 50 quilómetros por década, velocidade muito superior à das plantas invasivas terrestres.

Dados como estes são apenas possíveis com outros avanços, os científicos e tecnológicos. Nos últimos anos, segundo foi ressaltado no primeiro dia da conferência, os veículos submarinos de operação remota (ROV) permitiram chegar a profundidades que levaram às principais descobertas da oceanografia moderna. As fumarolas hidrotermais, como as encontradas perto dos Açores, são um desses exemplos e permitiram descobrir formas de vida muito estranhas em zonas onde não chega nenhuma luz solar.

As explorações perto dos vulcões submarinos e a grande profundidade já levaram à identificação de meio milhar de espécies novas. Só nos vulcões do Golfo de Cádiz foram identificadas 13 novos vermes. Esta realidade é uma das que vão ser reflectidas no Censo da Vida Marinha, um trabalho que envolve dois mil cientistas de 82 países. A base de dados com todas as espécies agora conhecidas deverá estar concluída em 2010. Um dos conhecimentos mais em expansão nos últimos anos diz respeito às bactérias existentes em meio marinho. Até agora apenas seis mil estão descritas, mas estima-se que haja nas águas dos oceanos entre cem milhões a mil milhões de espécies. O potencial destas bactérias pode ser enorme, para uso na indústria farmacêutica e na medicina.

A conferência aborda também os aspectos produtivos dos mares. A protecção dos eco-sistemas costeiros, segundo uma comunicação, é das medidas mais eficientes para que a pesca seja abundante nas zonas adjacentes.

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