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Quatro meses para mudar de sexo em Coimbra

Quatro meses para mudar de sexo em Coimbra

As cirurgias de mudança de sexo poderão iniciar-se dentro de três a quatro meses Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC), revelou, esta sexta-feira, ao JN, o director do Serviço de Psiquiatria daquela unidade, António Reis Marques.

Um "reputado especialista" irá acompanhar e monitorizar uma equipa de cirurgiões de várias especialidades, médicos sexólogos e endocrinologistas dos HUC, que darão resposta a cerca de 15 pessoas transexuais que se encontram já em processo de avaliação e outras 40 que estão em várias consultas de sexologia no país.

"A ideia de se realizarem nos HUC as cirurgias em transexuais nasceu há cerca de dois ou três meses, por solicitação da Consulta de Sexologia do Serviço de Psiquiatria dos HUC. Esta consulta, que trabalha nesta área desde 1975, sob a orientação do doutor Allen Gomes, até há pouco tempo, solicitou ajuda para dificuldades da resposta às necessidades destas cirurgias. Foi perante esta dificuldade, que se resolve dinamizar uma equipa que executasse estas cirurgias", explicou Reis Marques.

"Os HUC não se disponibilizaram, até aqui, para intervir nesta área (mudança de sexo), pela simples razão de entenderem que estando as necessidades do País acauteladas por uma instituição do Serviço Nacional de Saúde com capacidade para responder á procura, não fazia sentido, como não faz noutras situações existentes, que se gerem redundâncias de oferta desnecessárias e ineficientes no Serviço Público", acrescentou o responsável, explicando o facto da solução encontra em Coimbra ser anunciada após a saída do Hospital de Santa Maria, em Lisboa, no início de Março, de João Décio Ferreira, o único cirurgião em Portugal que realizava tais operações

Reis Marques sublinhou que aquela unidade de saúde não está "distraída em relação às reais necessidades dos cidadãos nacionais". "Na ausência de oferta do SNS e reunidas as condições para criar uma resposta de qualidade, os HUC entenderam agora assumir as suas responsabilidades", frisou.

Confrontado com as críticas de João Décio Ferreira, que estranha o facto de nos últimos anos ninguém ter mostrado disponibilidade nos HUC em especializar-se nas cirurgias de mudança de sexo ou por procurarem no estrangeiro técnicas que - na sua opinião - estão desactualizadas, o director de Serviço de Psiquiatria foi peremptório: "hoje não há segredos na ciência e há toda uma circulação de informação e conhecimentos dos avanços técnico-cientificos. Os procedimentos cirúrgicos serão os usados nos melhores centros europeus".

"Não conhecemos os procedimentos utilizados pelo doutor Décio Ferreira, mas concerteza que serão também balizados pelas competências e saberes consensuais nos melhores centros internacionais e à luz do estado da arte", concluiu Reis Marques.

Décio Ferreira desenvolve há vários anos técnicas únicas a nível mundial, que passam por uma reatribuição da genitália que, no caso das transexuais masculino-femininas, passa por aproveitar várias estruturas e tecidos da genitália masculina para a construção dos vários componentes de uma vulva e vagina normais. Sendo a técnica de um enxerto livre de uma parte do intestino delgado, o jejuno, o que mereceu aplausos na conferência mundial de cirurgiões em Oslo.

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