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Quercus lamenta conclusão da UNESCO que compatibiliza barragem e Douro Património Mundial

Quercus lamenta conclusão da UNESCO que compatibiliza barragem e Douro Património Mundial

A associação ambientalista Quercus lamentou, quarta-feira, o relatório da UNESCO, que concluiu que a construção da Barragem de Foz Tua é compatível com o Douro Património Mundial, e considerou que agora "já não há nenhum entrave ao empreendimento".

O Governo recebeu na terça-feira o relatório da missão conjunta do Comité do Património Mundial da UNESCO, ICOMOS e IUCN sobre a construção do aproveitamento hidroelétrico de Foz Tua, entre Alijó e Carrazeda de Ansiães.

Fonte do Ministério da Agricultura, Ambiente, Mar e Ordenamento do (MAMAOT) disse à agência Lusa que o relatório "conclui que a construção do aproveitamento hidroelétrico de Foz Tua, de acordo com o projeto revisto, é compatível com a manutenção do Alto Douro Vinhateiro (ADV) na Lista do Património Mundial".

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João Branco, dirigente da Quercus, afirmou à Lusa que lamenta a decisão da UNESCO e considerou que, a partir deste momento, "já não há qualquer entrave" à construção da barragem.

Desde o início do processo que a associação se apôs ao empreendimento, tendo inclusive apresentado duas queixas à UNESCO, por defender que a sua construção era incompatível com o ADV, classificado em 2001.

"Tenho pena que a UNESCO tenha tomado essa decisão, mas eles é que sabem", sublinhou.

O Partido Ecologista "Os Verdes" considerou que, caso se venha a verificar as conclusões anunciadas pela Lusa do relatório, que se está perante "uma verdadeira perda patrimonial".

"A Barragem do Tua é uma ferida aberta no ADV que abrirá um precedente, atrás do qual virão outras feridas que destruirão as características do ADV e levarão à perda do título de Património Mundial, senão no imediato, num futuro próximo", salientou o partido em comunicado.

"Os Verdes" anunciaram ainda que vão entregar um requerimento parlamentar a solicitar a entrega do relatório, pois consideram que o "Governo tem a obrigação de o tornar imediatamente público".

De acordo com as conclusões a que chegaram as peritas que visitaram o Douro, a barragem tem um "impacto visual reduzido" no ADV "na sua integridade e autenticidade, quer ao nível da paisagem, quer ao nível do processo vitivinícola".

Segundo o MAMAOT, o relatório "aplaude" ainda a opção tomada em construir a central elétrica enterrada, solução que é considerada tecnicamente "adequada".

Durante a visita ao Douro, foi apresentado à UNESCO o projeto do arquiteto Souto Moura, que tem em vista a compatibilização da central hidroelétrica, inserida na área classificada, com a paisagem.

Agora, o Governo referiu que está a estudar "cuidadosamente" as recomendações da UNESCO de forma a garantir a sua plena execução. Compromete-se ainda a manter o relacionamento de total "transparência, abertura e diálogo entre Portugal e o Centro do Património Mundial da UNESCO", como diz que "tem sido prática desde que este iniciou funções".

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