Sociedade

Raiva está erradicada mas vacina é obrigatória

Raiva está erradicada mas vacina é obrigatória

A raiva foi erradicada de Portugal há mais de meio século, mas ainda é preferível "jogar pelo seguro e não descurar" a vacina anti-rábica. Apesar de obrigatória, nem sempre é administrada. Um problema, quando um quarto dos cães não tem assistência.

A raiva é uma doença contagiosa de elevada mortalidade que afecta animais e pode ser transmitida aos humanos. Oficialmente erradicada em Portugal desde 1956, graças a campanhas anuais e sistemáticas de vacinação, justifica a vacina anti-rábica obrigatória.

A presidente da Associação Animal, Rita Silva, salienta a importância de "jogar pelo seguro" e "não descurar a vacina", que, "em muitos casos, não é administrada aos animais domésticos por descuido, falta de informação ou dinheiro".

Por ocasião Dia Mundial da Luta Contra a Raiva, que se assinala hoje, a dirigente lamenta que a doença já não receba a "devida atenção em Portugal", lembrando que "ratos e morcegos podem estar contaminados e infectar animais de estimação", sobretudo cães e gatos.

Apesar da obrigatoriedade da vacina e de o licenciamento de cães nas juntas de freguesia só poder ser feito mediante apresentação da prova de vacinação, Rita Silva critica a "falta de fiscalização objectiva da doença no país, especialmente nas zonas rurais".

A fiscalização "deveria ser obrigatória, também por uma questão de saúde pública" e o "ideal seria a obrigatoriedade de uma vacinação completa", disse, citada pela Lusa. "A legislação devia prever uma vacinação obrigatória contra as principais doenças que podem afectar cães e gatos, entre as quais a esgana, leptospirose, parvovirose canina, piroplasmose, herpesvirose e tosse canil", afirma.

A ideia é defendida também pela presidente da Liga Portuguesa dos Direitos do Animal, Maria do Céu Sampaio. "Salvaguardaria a saúde e o bem-estar dos animais, assim como a saúde pública", justifica.

A dirigente reconhece haver duas orientações divergentes entre os veterinários quanto à vacinação: "Uns entendem que se deve continuar a vacinar todos os anos; outros, apenas de três a três anos".

Ambas criticam o facto de em Portugal se desconhecer o número global dos animais vacinados. Maria do Céu Sampaio defende "um controlo e intervenção mais eficazes por parte das autarquias", as quais devem "proporcionar aos munícipes idosos ou com recursos financeiros limitados a vacinação gratuita dos seus animais".

Um em cada quatro cães não recebe qualquer tipo de assistência médica-veterinária em Portugal, onde a despesa com animais de estimação é inferior em 33,8% à média da União Europeia.