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Reformados protestam em Lisboa e Porto contra "sucessivos ataques" do Governo

Reformados protestam em Lisboa e Porto contra "sucessivos ataques" do Governo

Cerca de 150 reformados estão concentrados em frente ao Ministério da Solidariedade e Segurança Social, em Lisboa, para protestar contra os "sucessivos ataques do Governo" aos idosos. No Porto, outro grupo manifestou-se na Praça da Trindade.

"Não consigo adormecer com Passos Coelho e Portas a bater", "É preciso, é urgente correr com esta gente" e "É só cortar e roubar e reformados a pagar" são algumas das palavras de ordem ouvidas neste protesto, organizado pela Confederação Nacional de Reformados, Pensionistas e Idosos (MURPI).

Em declarações à agência Lusa, o presidente do MURPI, Casimiro Menezes, adiantou que o protesto tem a ver com as medidas anunciadas pelo Governo contra os reformados.

"Os reformados têm sido vítimas de sucessivos ataques deste Governo e, agora, surgiu mais um ataque, o de taxar em 10% as reformas da Função Pública, com caráter de retroatividade", afirmou.

Para o líder do MURPI, esta medida é "ilegal e inconstitucional". Casimiro Menezes considerou que "é preciso travar o Governo, pô-lo na rua, dar a palavra ao povo e fazer com que a força popular seja cada vez maior". Lamentou igualmente que o presidente da República, Cavaco Silva, esteja "conivente com o Governo".

Casimiro Menezes disse que os protestos vão continuar, sendo que o próximo está agendado para 25 de maio, em frente à Presidência da República. "São importantes estas lutas para conseguir derrubar o Governo, porque já não há solução para este problema", assinalou.

"Se houver uma revolta, entro nela sem medo"

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Alfredo da Silva, 69 anos, fez questão de participar no protesto com um fato simbolizando um esqueleto e empunhava um cartaz com a inscrição: "O Governo está a pôr-nos nesta figura. Comeram-me a carne, sugaram-me o sangue, é o fim".

O reformado contou à Lusa que tem participado em todas as iniciativas contra o Governo. "Já disse à minha mulher 'arranja outro', porque, se houver uma revolta, entro nela sem medo, porque já tenho 69 anos e não tenho muito mais tempo para viver'", referiu indignado.

Foram os mesmos motivos de Alfredo da Silva que levaram Vasco Franco, 83 anos, à concentração na Praça de Londres. "É uma vergonha" o que está a acontecer em Portugal. "Foi para isto que se fez o 25 de Abril?", questionou, lamentando que todos os direitos que foram conquistados "a pulso", após a Revolução dos Cravos, estejam reduzidos "quase a zero".

"A vontade que este Governo tem é de matar o povo deste país", declarou.

Durante o protesto foi aprovada uma moção, que será entregue no ministério a exigir, entre outras medidas, a reposição dos rendimentos retirados pelas medidas orçamentais, a atualização de todas as pensões, de modo a repor o poder de compra, a reposição do desconto de 50% nos passes sociais dos reformados e a abolição das taxas moderadoras.

Protesto no Porto contra cortes "cegos" e "roubo"

Três dezenas de reformados, pensionistas e idosos protestaram no Porto contra os cortes "cegos" nas pensões, prestações sociais e medicamentos que dizem ser um "assalto" e um "roubo" aos seus direitos.

"Não há ninguém que não esteja revoltado, mas nós reformados muito mais pelos roubos que estes governos nos andam a fazer", afirmou António Stockler, membro do Movimento Inter-Reformados da União de Sindicatos do Porto da CGTP que promoveu a ação de sensibilização na Praça da Trindade.

Os reformados dizem estar a ser alvo de uma "política de terrorismo social, com roubos e mais roubos aos seus rendimentos, às suas reformas e pensões e profundo retrocesso no direito à saúde", lê-se no panfleto distribuído.

O documento assinala que estão a ser "negados direitos constitucionais" aos reformados, pensionistas e idosos que "estão a ficar cada vez mais pobres".

"Não exigimos muito, exigimos reformas dignas para termos dignidade na nossa vida", frisou António Stockler, criticando as atuais "reformas miseráveis" sem aumentos e as taxas moderadoras na saúde que considerou serem "roubos moderados".

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