Lisboa

Reformados protestaram em Lisboa contra o "pacto de agressão e rapina"

Reformados protestaram em Lisboa contra o "pacto de agressão e rapina"

A chuva que caiu na tarde deste sábado em Lisboa não demoveu os reformados e pensionistas que participaram na manifestação da CGTP para protestar contra o "pacto de agressão e rapina" da 'troika'.

Vindos de várias partes do país, os reformados e pensionistas concentraram-se na Praça do Comércio, seguindo depois em desfile até à Praça da Figueira para participar na manifestação nacional promovida pela CGTP e pela Confederação Nacional dos Reformados (MURPI).

"O roubo na pensão não é solução", "Não ao roubo dos salários e pensões" e "Ser reformado não é defeito, exigimos mais respeito" eram algumas das palavras entoadas pelos manifestantes, que seguravam bandeiras negras e cartazes a contestar os cortes na saúde e nos transportes públicos.

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Já na Praça da Figueira, durante os discursos de membros das organizações envolvidas no protesto ouviram-se criticas à transferência dos fundos de pensões da banca para a Segurança Social.

Esperança Martins, da CGTP, citou uma expressão popular para se referir ao tema: "Os banqueiros matam dois coelhos de uma cajadada só, a que o facto de o senhor primeiro ministro se chamar Coelho dá uma ironia especial".

Esta bancária reformada disse à Lusa que na manifestação deste sábado estiveram "mais de quatro mil reformados e idosos" para se manifestarem "contra a política deste e dos anteriores Governos" e expressar a sua indignação contra o que designaram como "pacto de agressão e de rapina" da 'troika'.

"A maior percentagem dos reformados tem reformas de 200 e 300 euros e com a retirada de direitos, com o aumento dos bens alimentares, dos transportes e na saúde, a situação está insustentável", afirmou Esperança Martins.

Foi também para protestar contra os cortes que têm sido anunciados pelo Governo que Gervásio Mourão, 69 anos, veio de Vila Real de Santo António.

"A esmagadora maioria dos reformados não ganha mais de 300 euros de reforma. Em relação ao gás, à electricidade, ao IVA e à comida não têm possibilidades de sobrevivência", afirmou.

Este reformado acusou ainda o Presidente da República de ter mentido aos portugueses: "O Presidente mentiu aos portugueses porque jurou cumprir a Constituição e o artigo 64 diz que a saúde deve tendencialmente gratuita e estamos a verificar o contrário e o artigo 72 diz que a velhice deve ser preservada, acautelada e apoiada. Não cumpriu".

Maria Dias, agricultora de 61 anos vinda de Viseu, não poupou críticas ao programa de assistência financeira a Portugal.

"É muito triste roubarem um reformado. É como chegar aqui ao bolso de uma pessoa qualquer e sacar-lhe a carteira. É o que eles estão a fazer e a 'troika' veio mandar em Portugal. Não acho justo, porque Portugal tem cá o dinheiro deles mas paga-lhe juros", disse.

Para Maria Dias, o "negócio" entre Portugal e as instituições financeiras internacionais resume-se da seguinte forma: "Abastecem os banqueiros aos milhões, para o bolso dos reformados vão uns tostões".

Esta agricultora critou ainda a actuação do primeiro-ministro neste processo: "O nosso Coelhinho ele é bom e tem boa fama, mas ele não está a saber gerir bem o país. Tem de se juntar a pessoas que o ajudem, confiar nelas e não na 'troika' porque a [chanceler alemã]Merkel e essa porcaria toda só vem querer mandar em Portugal".

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