Pobreza

Região do Tâmega tem 20 mil desempregados

Região do Tâmega tem 20 mil desempregados

A região do Tâmega regista mais de 20 mil desempregados, sendo os concelhos mais afectados Amarante, Baião e Marco de Canaveses, onde as mulheres representam 70 por cento dos inscritos nos centros de emprego, revela um estudo hoje divulgado.

De acordo com o estudo divulgado esta manhã pela Rede Europeia Anti-Pobreza, esta região do Norte do país, que conta com 20.202 desempregados inscritos em Janeiro, é prejudicada pelo "baixo nível de qualificação entre os activos empregados" nos oito concelhos analisados, "que chegam a representar cerca de 74% dos trabalhadores por conta de outrem".

O objecto de estudo deste trabalho situou-se na análise e interpretação do impacto das situações de desemprego ou emprego de baixa qualidade no desenho de percursos, trajectórias e modos de vida da exclusão e da pobreza em oito concelhos da região do Tâmega, designadamente Amarante, Baião, Felgueiras, Lousada, Marco de Canaveses, Paços de Ferreira, Paredes e Penafiel.

De entre os oito municípios da região, os concelhos de Amarante, Baião e Marco de Canaveses são também aqueles que "registam as taxas mais elevadas de desemprego jovem".

O estudo adianta que a "disparidade entre o ganho médio dos trabalhadores por conta de outrem no resto do país e na região Norte é muito acentuada e claramente desfavorável para os segundos, que chegam a ganhar menos cerca de 350 euros por mês".

"Esta situação condiciona fortemente o nível de rendimento das famílias e do seu poder de compra, justifica a manutenção de um nível ainda significativo de actividades informais, se bem que em regressão, e corrobora a ideia que o acesso ao emprego, mesmo que estável, não constitui, forçosamente, uma garantia contra as situações de fragilidade face à exclusão social e à pobreza", conclui.

O documento revela também que os valores da taxa de escolarização ao nível do ensino secundário, com excepção de Amarante, "fica muito abaixo da média nacional", ainda que esteja implementada a escolaridade obrigatória.

O estudo, denominado "Impacto do Desemprego na pobreza e exclusão social Porto-Tâmega", sublinha que se "verifica nestes concelhos um aumento das situações de pobreza, sobretudo os 'novos pobres', do consumo de álcool e drogas e do endividamento das famílias".

Esta análise permitiu perceber também que "a poupança aparece associada à vivência em meio rural e é um modo de vida muito importante para a população idosa que, não obstante as dificuldades, tende a pensar no futuro da sua garantia em termos de rendimentos".

"Indivíduos com problemas de saúde e de justiça e com comportamentos aditivos", sendo que a questão do alcoolismo foi referenciada como particularmente grave em Baião, Marco e Penafiel, são aqueles que se enquadram nas situações de exclusão do mercado de trabalho.

Porém, o doumento indica ainda que "também é possível delinear um outro conjunto de indivíduos que se recusam/desmotivados para a (re)entrada no mercado de trabalho".

Refere que se tratam de pessoas "que cristalizam todas as problemáticas de pobreza e exclusão social, regra geral beneficiários do Rendimento Social de Inserção (RSI) e um agregado significativo de mulheres (...) com baixa qualificação escolar e profissional, dificuldade de adaptação a novos contextos profissionais, limitações de mobilidade geográfica", entre outros aspectos.

A realização de biscates, trabalho em casa e trabalho não declarado apresenta uma "incidência transversal em todas as categorias sociais e concelhos, embora com tendência de regressão dada a retracção da actividade industrial", indica o estudo.

O estudo aponta várias "pistas estratégicas de enfrentamento", sendo considerada fundamental "a necessidade de uma intervenção diferenciada, articulada ao nível institucional, abrangente e multidimensional que active os indivíduos não apenas socialmente, mas nas suas competências mais pessoais, mais íntimas de auto-estima e auto-conceito, entretanto devastados".

Reforço e/ou reactivação da intervenção da Rede Social e da sua plataforma supra concelhia, o incremento/valorização de outros espaços de parcerias e trabalho em rede existentes, o reforço da inserção das problemáticas da inclusão socio-económica na agenda das organizações locais e o desenvolvimento de organizações e/ou serviços especializados de proximidade às famílias são algumas das principais linhas de acção definidas.

Outras Notícias