Sociedade

Rosinha não perdeu vida activa por causa das palavras

Rosinha não perdeu vida activa por causa das palavras

Se conseguisse ler e escrever, a dona Rosinha escolheria um livro de José Saramago. Aprendeu  a escrever apenas o seu primeiro nome. Foi a neta, aos 10 anos, que lhe ensinou.

Mas garante que nunca prejudicou a sua vida activa. Para ler cartas, tem ajuda do vizinho - a quem, carinhosamente, chama "secretário" - ou recorre a um comerciante da sua confiança.

Rosa da Conceição Ferreira Moreira, de 74 anos, conta que nunca frequentou a escola, ao contrário dos irmãos. Casou com 19 anos e, há mais de meio século, vive na Rua das Areias, em Rio Tinto, concelho de Gondomar. Trabalhou numa fábrica de garrafas, foi leiteira e lavadeira. E garante que a impossibilidade de ler ou escrever nunca foi obstáculo para ser uma mulher activa. O marido tinha essa capacidade e tratava de tudo, mas Rosinha é viúva há quatro anos. Gere a casa e faz natação. E, como conhece os números, não tem problemas quando vai fazer compras.

"Já soube assinar o meu primeiro nome. A minha neta ensinou-me", conta com orgulho.  Foi há 10 anos. Catarina já tem 20.  E como faz para assinar? "O dedinho vai comigo para todo o lado", graceja, explicando que não precisa de cheques ou multibanco. O vizinho lê as cartas do banco ou da segurança social. Com a amiga costuma dar uns passeios.

A dona Justa sabe ler e escrever, fez a 4ª classe. Por isso, é mais uma ajuda. Rosa vê os quatro canais generalistas e acompanha as notícias e o discurso dos líderes políticos, que considera "todos iguais". Também vê filmes estrangeiros e, mesmo sem ler as legendas, tira o sentido pelas imagens. E se pudesse ler? "Lia um livro de José Saramago, gosto muito dele", respondeu.

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