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Santa Maria sem "condições mínimas" para urgências de psiquiatria

Santa Maria sem "condições mínimas" para urgências de psiquiatria

Os médicos do Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa recusam-se a fazer urgência quando esta for transferida do Hospital Curry Cabral para o Santa Maria, alegando que "não estão criadas as condições mínimas de atendimento" destes doentes naquela instituição.

Em causa está o anúncio da tutela da transferência da urgência de psiquiatria do Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa (CHPL), a funcionar no Hospital Curry Cabral desde 2000, para a urgência do Hospital de Santa Maria.

O anúncio não foi bem recebido pelos médicos do CHPL que, reunidos na passada segunda-feira, elaboraram um texto que está a ser subscrito por quase todos os médicos que prestam este serviço.

No documento, os médicos declaram que "se recusam a fazer urgência naquele hospital até estarem garantidas as condições mínimas de atendimento dos doentes psiquiátricos nessa urgência".

Para estes profissionais, "não é aceitável que uma urgência psiquiátrica que passa a atender cerca de 2,5 milhões de habitantes funcione sem Serviço de Observação (SO) psiquiátrico, sem equipa de enfermagem adequada, sem auxiliar de acção médica, sem ligação directa à urgência geral ou mesmo sem condições sanitárias".

Esta situação, alegam, "levará a um retrocesso nas condições gerais de atendimento aos doentes, a má prática médica e ausência de condições de segurança para todos, não aceitável por parte dos clínicos" do CHPL.

Os subscritores pretendem entregar o abaixo-assinado à tutela, nomeadamente à Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo.

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Contactado pela Lusa, este organismo do Ministério da Saúde informou ainda não ter recebido o abaixo-assinado dos médicos.

A mudança tinha já motivado um alerta do Sindicato dos Médicos da Zona Sul (SMZS), para quem, "de forma precipitada, associa-se o atendimento de uma população de cerca de dois milhões de habitantes, actualmente servidos pela urgência de psiquiatria a funcionar no Hospital Curry Cabral, ao atendimento de cerca de 350 mil, realizado no Hospital de Santa Maria".

Para este sindicato, a mudança significa passa pela "ausência de uma sala de observações (porque o Hospital de Santa Maria nunca a teve) e a diminuição no número e na qualificação do pessoal de enfermagem (um enfermeiro não especializado por turno), o que significa um marcado retrocesso no desenvolvimento da qualidade do atendimento aos doentes psiquiátricos".

"A prática do Hospital de Santa Maria, onde os doentes psiquiátricos permanecem nas mesmas salas de observação com doentes com outros tipos de patologia física, mostra claramente a falta de condições adequadas para servir os doentes psiquiátricos de urgência criando, ainda, um risco adicional de segurança para todos", lê-se num comunicado do SMZS.

A Lusa questionou o Hospital Santa Maria sobre as condições em que este serviço deverá funcionar, o qual afirmou que não compete a esta instituição comentar uma mudança decidida pelo Ministério da Saúde, mais precisamente a ARS de Lisboa e Vale do Tejo.

A criação das urgências psiquiátricas no Hospital Curry Cabral foi decidida por despacho da então ministra da Saúde Manuela Arcanjo no âmbito da reorganização dos serviços prestadores de cuidados de psiquiatria e saúde mental da Região de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo e o atendimento permanente das situações de urgência psiquiátrica em serviços de urgência dos hospitais gerais.

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