Sociedade

Autarca de Chaves quer ouvir Ministério da Saúde sobre jovem acidentado

Autarca de Chaves quer ouvir Ministério da Saúde sobre jovem acidentado

O presidente da Câmara de Chaves, António Cabeleira, vai pedir explicações ao Ministério da Saúde sobre a indisponibilidade dos hospitais do Norte em receber um jovem acidentado com neurotrauma, que teve de ser transportado para Lisboa.

"É absolutamente incompreensível que os nossos hospitais de referência a nível Norte não tenham condições para receber todos os doentes e todas as situação de emergência. Isto não tem compreensão", afirmou o presidente da Câmara de Chaves, António Cabeleira, à agência Lusa.

Um jovem de 20 anos, que sofreu um neurotrauma num acidente de viação no sábado, em Chaves, foi internado no Hospital Santa Maria, em Lisboa, devido ao hospital da cidade transmontana não ter a especialidade e não haver vagas nos hospitais da região Norte.

O jovem saiu de Chaves cerca das 06.00 horas, depois de três horas de espera, fez cerca de 400 quilómetros até Torres Novas de ambulância onde, depois de pedido médico dado o agravamento do seu estado de saúde, seguiu até Lisboa de helicóptero, onde permanece internado em coma induzido.

António Cabeleira disse que os transmontanos e, em particular, os cidadãos do Alto Tâmega, se sentem "ultrajados".

"Sentimos que tivemos aqui um tratamento completamente diverso dos cidadãos do resto do país e explico porquê. Se o acidente tivesse acontecido na cidade do Porto, a vítima teria sido encaminhada para um dos hospitais do Porto - ou Santo António ou São João, conforme área de influência", realçou.

O autarca compreende que o helicóptero, num dia de inverno com céu fechado, não tivesse condições de segurança para vir buscar o doente a Chaves, mas não entende que nenhuma unidade de neurocirurgia do Norte não tivesse vagas.

"Tem de ter, aqui não há desculpas, tem de ter. Se a vítima fosse do Porto não tinha sido transferida para Lisboa", considerou.

Por esse motivo, o social-democrata vai enviar, ainda esta terça-feira, uma carta ao ministro da Saúde, ao presidente da Administração Regional de Saúde do Norte (ARSNorte) e ao presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro (CHTMAD).

"Somos cidadãos de pleno direito e queremos ser tratados como tal, o país precisa de poupar dinheiro, mas que poupe em tudo menos na saúde e educação. Que reduzam as transferências para as autarquias, forças armadas, cultura, o que entenderem, não na saúde e educação", adiantou.

O presidente da Câmara lembrou que Chaves está na raia e na União Europeia, por isso, sugeriu que coloquem os hospitais galegos ao serviço dos cidadãos. "De certeza absoluta que Vigo estaria em condições de receber o cidadão e numa hora e pouco chegaria lá de automóvel", ressalvou.

O CHTMAD garantiu à Lusa que contactou "todos" os hospitais do Norte para tentar internar o doente numa unidade próxima, mas não houve essa disponibilidade.