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Bastonário dos Médicos diz que ranking acrescenta "pouco ou quase nada"

Bastonário dos Médicos diz que ranking acrescenta "pouco ou quase nada"

O bastonário da Ordem dos Médicos considerou este sábado "interessante" a realização de rankings hospitalares, mas defende que estes "acrescentam muito pouco ou quase nada a uma informação fidedigna e bem fundamentada" sobre o desenvolvimento da saúde em Portugal.

José Manuel Silva falava à Agência Lusa a propósito da divulgação hoje do mais recente ranking dos hospitais públicos portugueses, uma avaliação da Escola Nacional de Saúde Pública que coloca o Hospital São João (Porto) na liderança, seguido do Centro Hospitalar Universitário de Coimbra e do Centro Hospitalar de Lisboa Norte (hospitais de Santa Maria e Pulido Valente).

O bastonário dos médicos entende que a efetivação destes rankings das instituições de saúde públicas é, por princípio, "salutar", mas observou contudo que "enfermam de muitas dificuldades e grandes fragilidades".

Na sua opinião, mais importante do que estes rankings seria analisar a mortalidade de cada patologia - "pelo menos das principais patologias tratadas nas diferentes instituições de saúde - para que efetivamente pudessem conhecer aqueles que apresentam "melhores resultados".

Isso, adiantou, "não só no sentido de os doentes poderem exercer o seu direito de opção pela instituição na qual querem ser tratados, mas também para correção de eventuais problemas que pudessem ser detetados nas instituições com menos bons resultados nessa patologia".

José Manuel Silva aproveitou para alertar que,em vários hospitais, estão a "impossibilitar" doentes (que por não serem considerados como sendo da sua zona geográfica) de recorrerem a essa instituição de saúde, o que, na sua perspetiva, é "inconstitucional".

Entretanto, a avaliação feita do desempenho dos hospitais públicos portugueses colocou o "São João", do Porto, na liderança do "ranking", um mérito que a diretora clínica, Margarida Tavares, partilha com os profissionais da unidade.

"A classificação demonstra, antes de mais, a qualidade dos nossos profissionais", disse Margarida Tavares, em declarações à agência Lusa.

Numa avaliação da Escola Nacional de Saúde Pública, o Centro Hospitalar de S. João surge também na liderança em sete de um total de 17 agrupamentos de doenças: cardíacas e vasculares; digestivas; endócrinas e metabólicas; infeciosas; pediátricas; da pele e tecido celular subcutâneo; e, por fim, do sangue e dos órgãos linfáticos e hematopoiéticos.

Margarida Tavares sublinhou que esta é pelo menos a quinta vez, e a terceira consecutiva, que o hospital de que é diretora clínica consegue o primeiro lugar."Estes resultados juntam-se a outros indicadores que nos colocam entre os melhores da Península Ibérica", acrescentou.

O estudo avalia o desempenho dos hospitais públicos em Portugal Continental em dois aspetos: internamento hospitalar e efetividade/qualidade dos cuidados prestados.

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