Sociedade

Doentes do sangue esperam 658 dias por 1.ª consulta

Doentes do sangue esperam 658 dias por 1.ª consulta

Há doentes com cancro no sangue, por exemplo, que esperam meses por uma consulta de Hematologia que não existe na unidade de Aveiro do Centro Hospitalar do Baixo Vouga (CHBV), aumentando os riscos de morte. As consultas foram encerradas em janeiro de 2013 porque entraram em "colapso", mas o hospital continua a aceitar inscrições, reencaminhando os doentes para Coimbra.

"Só havia um médico, com uma lista de espera superior a dois anos, que entendeu que, sem assistência e condições para dar a resposta necessária a um número crescente de doentes, não poderia continuar", denunciou fonte hospitalar ao JN. A situação "de colapso" terá sido reportada à Administração, mas arrastou-se, "com prejuízo para os doentes".

Os dados apresentados no sítio oficial do CHBV na Internet (reportam-se a outubro último), apontam para 953 pedidos que aguardaram, em média, 658 dias para serem vistos (em Coimbra e não em Aveiro), quando, e segundo especialistas contactados pelo JN, no caso de doenças graves do sangue, entre a suspeita, teste de diagnóstico (como uma biopsia, por exemplo) e o início do tratamento, não deve passar mais do que uma semana.

Os tempos de espera só não serão tão maus para alguns dos utentes, nomeadamente casos graves, porque são informalmente encaminhados para o Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC).

Mas são muitos os que ficam "perdidos", durante meses, à espera de uma consulta que afinal o hospital não assegura. "A Administração do CHBV não passou a informação a todas as entidades envolvidas. Há médicos de família que inscrevem doentes na lista de espera e doentes que, por não terem consciência da gravidade, vão aguardando meses, antes de procurarem ajuda. No início, alguns chegaram a Coimbra mas, como não havia comunicação, foram mandados novamente para Aveiro", acrescenta a mesma fonte.

As explicações do hospital

José Afonso, presidente do CHBV, explica que foi contratado um patologista clínico, com segunda especialidade de Hematologia, que aceitou fazer consulta, mas que o hospital "nunca evoluiu para um serviço, onde seriam necessários três especialistas". Depois do "colapso" da consulta, a tutela foi informada. "A lista de espera não está fechada e não há referenciação porque o CHBV aguarda o estudo, no âmbito do Plano Estratégico Regional, que irá definir quais os serviços, locais e rede de referenciação. Tudo indica que não haverá especialidade no CHBV", cuja área de influência ronda as 400 mil pessoas.

Fonte do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, para onde são encaminhados os doentes de Aveiro, disse, ao JN, que, ali, "não há listas de espera, após a primeira consulta, dada a gravidade dos casos". Mas admite que o encaminhamento de doentes de Aveiro e de Leiria está a "entupir os serviços em Coimbra e a causar constrangimentos".

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