Sociedade

Alentejo está sem reumatologistas

Alentejo está sem reumatologistas

O Alentejo está sem médicos reumatologistas há cerca de quatro meses e alguns doentes estão a ser enviados para serviços de medicina interna dos hospitais, situação que preocupa o Instituto Português de Reumatologia.

"Não há um único reumatologista em todo o Alentejo", afirmou à agência Lusa a presidente do Instituto Português de Reumatologia (IPR), Eugénia Simões, sublinhando que esta é uma zona do país onde as doenças reumáticas são muito prevalentes.

A médica frisou ainda que há doenças, como a artrite reumatoide, em que os pacientes têm de ser observados e seguidos por um médico reumatologista.

A última reumatologista a trabalhar num hospital do Serviço Nacional de Saúde (SNS) alentejano saiu há cerca de quatro meses do Hospital de Évora.

Eugénia Simões lamentou a "resistência" da administração regional de Saúde (ARS) do Alentejo no envio de doentes para o IPR, instituição que há anos recebe doentes do SNS, cobrando "um preço inferior aos hospitais do Estado".

O problema está não só no envio de primeiras consultas, mas também no seguimento de alguns doentes. Uma situação que é também sentida na área da ARS de Lisboa e Vale do Tejo.

São as próprias administrações dos centros de saúde a dificultar o acesso dos doentes ao Instituto, não os referenciando para consultas de reumatologia na instituição, contou à Lusa Eugénia Simões.

Neste momento, o IPR tem menos um terço dos doentes de primeira vez do que recebia há dois anos e até já se disponibilizou a deslocar-se aos locais onde se encontram os pacientes.

Na área de Lisboa e Vale do Tejo, cada vez mais doentes estão a ser encaminhados para o Hospital de Santa Maria ou de Loures, substituindo a referenciação para o IPR.

Contudo, Eugénia Simões frisou que as consultas no IPR ficam mais baratas aos Estado e que os doentes esperam menos tempo.

Os especialistas em reumatologia estão reunidos hoje em Lisboa nas Jornadas do IPR, onde debatem as principais preocupações da área, nomeadamente a dificuldade de acesso de doentes aos medicamentos biológicos, que tem sido agravada nalguns hospitais.