Sociedade

Cooperação transfronteiriça na saúde continua por concretizar

Cooperação transfronteiriça na saúde continua por concretizar

A proposta de cooperação transfronteiriça na área da Saúde, envolvendo equipamentos públicos do Alto Minho e da Galiza, está "parada" desde dezembro por ainda não terem sido nomeados representantes regionais para a equipa técnica.

A situação foi admitida, esta quinta-feira, à Agência Lusa pelo vice-presidente da Uniminho, associação que reúne os vinte municípios do vale do rio Minho, português e galego.

"Infelizmente o processo está parado e já nem tem pés para chegar a ser discutido na próxima cimeira ibérica, de maio, como era nosso desejo", explicou Rui Solheiro.

Em causa está a ausência de qualquer resposta do Governo Regional da Galiza e da Administração Regional de Saúde do Norte (ARS-N) sobre a indicação de representantes para a equipa que conduz este processo, apesar do "entusiasmo" com que receberam a proposta.

"Ao nível dos representantes regionais estamos agora a sentir alguma resistência, desconhecemos porquê, até porque tudo correu bem até dezembro. Esperemos que não seja uma tentativa de obstrução, mas apenas um mau funcionamento momentâneo", disse Solheiro, à margem da assembleia-geral da Uniminho, realizada, esta quinta-feira, em Valença.

Cerca de oitenta mil portugueses podem passar a ter os hospitais de Vigo como "referência" e os habitantes de Vigo podem ser encaminhados para o hospital de Viana do Castelo em casos de acidentes vasculares cerebrais.

Estas duas alterações acontecerão caso avance a proposta de cooperação transfronteiriça na área da saúde entre Portugal e Galiza, conclusões que constam do estudo que os municípios do vale do Minho, no distrito de Viana do Castelo, com o apoio dos congéneres galegos, encomendaram sobre a necessidade de cuidados transfronteiriços na área da Saúde.

Este documento, já entregue ao Governo Regional da Galiza e à ARS-N, prevê para os habitantes de Vila Nova de Cerveira, Valença, Monção, Melgaço e Paredes de Coura os hospitais de Vigo como "referência" para os casos de urgência, por serem mais próximos do que o de Viana do Castelo.

Os hospitais de Vigo, a maior cidade da Galiza, distam cerca de 30 quilómetros da fronteira de Valença. Para o Hospital de Viana do Castelo, onde funciona uma Unidade de AVC, a distância é de cerca de 80 quilómetros, menos vinte do que a atual unidade mais próxima, em Santiago de Compostela.

"O que este estudo diz é que para os municípios portugueses da fronteira os hospitais de Vigo podiam ser a referência, por serem mais próximos. Para a área de Vigo, no que toca a AVC podia funcionar o de Viana, que tem uma especialidade na área. Isto seria uma correta gestão dos recursos na fronteira", defende Rui Solheiro.

O autarca de Melgaço, que lidera também a Comunidade Intermunicipal do Alto-Minho, afirma tratar-se de uma forma de "utilizar melhor os recursos técnicos e humanos que existem dos dois lados da fronteira", tendo em conta que o estudo começou por "caracterizar exaustivamente" todos os equipamentos existentes.

"Muitos dos quais que até foram conseguidos com recurso a financiamentos comunitários. É a própria Comunidade Europeia que defende este tipo de cooperação", sublinha.

O documento, na sua versão técnica, já está a ser analisado pelas entidades portuguesas e galegas, mas ainda falta definir as "formas de compensação financeira" destes serviços entre os dois Estados.

"Por isso é que a nomeação destes dois representantes, da Galiza e da ARS-N, se torna relevante, para que nos permitam definir os custos reais dos serviços a prestar, colocados na propostas final a entregar aos ministros dos dois países", rematou Rui Solheiro.