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Estado perde milhões no Hospital da Cruz Vermelha

Estado perde milhões no Hospital da Cruz Vermelha

O Estado já deu como perdida metade do dinheiro com que salvou o Hospital da Cruz Vermelha da falência. Desde então, tem-lhe comprado serviços mais caros do que os do SNS, diz o Tribunal de Contas.

O Estado já perdeu seis milhões dos quase doze milhões de euros que injetou no Hospital da Cruz Vermelha para o salvar da falência, em 1998. Desde então, e apesar de vários avisos, o Ministério da Saúde continua a perder dinheiro no negócio, concluiu o Tribunal de Contas (TC). Além do valor do resgate, adianta o relatório de auditoria, até 2011 o Estado comprou ao hospital serviços no valor de 272 milhões, a preço mais alto do que o que teria suportado no Serviço Nacional de Saúde (SNS).

O resgate financeiro avançou porque a má gestão de pessoal deixou o hospital, em Lisboa, perto da falência. Estudos da altura mostravam que os 45% que o Estado comprou na CVP - Sociedade de Gestão Hospitalar, a que a Cruz Vermelha entregou a gestão do hospital, valiam 11,7 milhões de euros.

Desde então, o valor caiu. Um ano após o resgate, a Parpública (que gere as participações do Estado) admitiu que os 45% no hospital valiam metade do pago pelo Estado e suportou o prejuízo. E a avaliação partiu do princípio que o Estado continuará a ser o grande cliente do hospital, como até agora (exceto em 2011). Até 2011, o Estado comprou-lhe serviços no valor de 272 milhões de euros, sem que, com isso, a situação financeira do hospital tenha melhorado - uma leitura contestada pela CVP.

Ao longo do tempo, têm-se sucedido os avisos, com a Parpública a propor a venda ou a renegociação do acordo e o próprio TC a alertar para o problema e a recomendar o acompanhamento mais próximo das contas da empresa (ler mais ao lado).

Serviços mais caros

Agora, o TC avança com uma nova auditoria e "mantém as suas observações críticas", admitindo que a participação do Estado "esteja sobreavaliada", podendo a perda ser superior aos 50% já reconhecidos pela Parpública.

Para mais, diz, entre 2009 e 2011 os pacientes encaminhados para o hospital custaram mais 30 milhões de euros do que custariam se tivessem sido tratados no Serviço Nacional de Saúde.

Como exemplos, refere vários casos. Um é o da cirurgia oftalmológica. O melhor preço contratado com a Cruz Vermelha para uma operação às cataratas foi de 666euro, quando o custo marginal médio de uma cirurgia de oftalmologia no Instituto Dr. Gama Pinto custava 450euro - menos 216euro.

O tribunal alerta ainda para o conflito de interesses de médicos que referenciam pacientes para o Hospital da Cruz Vermelha apesar de também lá trabalharem.