Sociedade

Homens nem sempre estão prontos para o sexo

Homens nem sempre estão prontos para o sexo

Os homens não são as máquinas sexuais imparáveis que se julga, guiados por um desejo incontrolável e disponível. Muitos sofrem de desinteresse sexual, sempre analisado por comparação com as mulheres. Nada mais errado, até porque eles nem uma erecção podem fingir.

Sem padecerem de doenças e independentemente da idade, há homens que não se conseguem excitar. Nem sequer com estímulos, como a pornografia. São adultos, em relações estáveis, mas que, por vários factores, conjugados ou não, entre eles o stresse ou preocupações, chegam a um patamar em que nem fantasias sexuais têm.

É para estudar e melhor compreender as causas da falta de vontade sexual masculina heterossexual que a psicóloga Ana Carvalheira, ligada à Unidade de Investigação em Psicologia e Saúde do ISPA (Instituto Superior de Psicologia Aplicada), lançou um questionário online, dirigido a homens, portugueses e com mais de 18 anos.

Trata-se de um estudo, a decorrer até quarta-feira, dia 30 de Novembro, através do endereço http://www.surveymonkey.com/s/resposta-sexual-masculina, que leva cerca de 10 minutos a responder, anonimamente, e se estende à Croácia e Noruega.

Segundo Ana Carvalheira, "as primeiras conclusões serão conhecidas no início de 2012". "Só num mês, participaram mais de dois mil portugueses. Na Croácia, outros tantos. E na Noruega, até agora 800", adianta, ao JN, esta investigadora, que faz questão de diferenciar "desinteresse sexual" de "apatia sexual".

"A falta de interesse sexual não é um problema circunstancial, que ocorre num mau período. E, depois, tem interferência na auto-estima do indivíduo. Na verdade, este assunto está mal compreendido. Até hoje o desinteresse sexual dos homens estuda-se por comparação com as mulheres. Conhece-se o interesse sexual das mulheres e depois estabelece-se paralelismo com os homens. Sempre assim se fez", explica Carvalheira, ao cujo gabinete clínico acorrem cada vez mais casos.

"Aparecem jovens heterossexuais em relações com diminuição de desejo sexual. É intrigante!", admite.

A falta de vontade sexual para atingir o nível de uma disfunção sexual - chamada "Desejo Sexual Hipoactivo" - tem de persistir pelo menos durante seis meses e deve causar perturbação pessoal. "Se não for assim não há diagnóstico, é apenas um problema circunstancial, um mau período", garante.

"No próprio grupo dos homens há diferenças. Há determinados factores que influenciam o desejo sexual nuns e não noutros. Aliás, perante a tristeza alguns podem não ter sexo e outros têm-no para estarem menos tristes", acrescenta.

Com aqueles, a pornografia não só não funciona como até se pode tornar um problema: "É como o álcool. Se bebermos dois copos é uma coisa, se bebermos demais é outra". "Com a pornografia, fica-se preso àquela forma de excitação", frisa Ana Carvalheira.