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Hospital de Loures tem mais procura para abortar do que para ter filhos

Hospital de Loures tem mais procura para abortar do que para ter filhos

A responsável pela entidade que gere o Hospital de Loures disse que em março houve mais procura em consultas para abortar do que para ter filhos. Isabel Vaz defende que é necessário discutir "sobre o que deve ser de facto pago por todos nós".

Há mais pessoas a procurar o Hospital de Loures para realizarem abortos do que a marcarem consultas para terem filhos, disse à agência Lusa, esta quarta-feira, a responsável pela Espírito Santo Saúde, entidade que gere aquela unidade hospitalar.

"Tivemos mais consultas de interrupção voluntária da gravidez do que de obstetrícia" para terem filhos, afirmou Isabel Vaz. "E algumas das pessoas a repetirem segunda e terceira vez", sublinhou a responsável, em Fátima, durante a sua intervenção no XXIV Encontro Nacional da Pastoral Social.

Os números dizem respeito a março e são os primeiros dados desde a Espírito Santo Saúdo que iniciou a gestão do hospital, em fevereiro.

"Isto não tem nada a ver com ser ou não católico", destacou a responsável da entidade do Grupo Espírito Santo, lembrando que "a cobertura universal dos cuidados de saúde não é possível".

Isabel Vaz sustentou que uma das "discussões sérias que tem que ser feita" é "sobre o que deve ser de facto pago por todos nós", porque "não há dinheiro para pagar tudo". Ou seja, "há que fazer escolhas", defendeu.

A responsável explicou que "não vale a pena fazer declarações de amor ao Serviço Nacional de Saúde (SNS)". O que é imperioso, sustentou, é "gerir melhor".

A presidente da comissão executiva da Espírito Santo Saúde salientou que o ministro da Saúde, Paulo de Macedo, "tem carradas de razão quando fala do combate ao desperdício".

A responsável da Espírito Santo Saúde afirmou que as despesas com a saúde em Portugal "vão continuar a crescer" e que isso coloca em causa a sustentabilidade do SNS.

Isabel Vaz defendeu que é preciso acabar com o mito dos malefícios das Parcerias Público-Privadas e destacou que "as pessoas em necessidade não diabolizam o setor público ou privado". Em Portugal, "não existem doenças rentáveis, mas uma péssima definição de preços", sustentou.

Por outro lado, disse ainda a responsável, é preciso desfazer outros mitos como os da exigência da exclusividade médica e "de que os velhotes é que dão cabo disto tudo", referindo-se ao SNS. Ao mesmo tempo, no ponto de vista de Isabel, é necessário perceber que é essencial investir na tecnologia e na prevenção das doenças crónicas.

A intervenção da presidente da comissão executiva da Espírito Santo Saúde foi realizada na sessão da tarde no primeiro dia dos trabalhos do XXIV Encontro Nacional da Pastoral da Saúde, que decorre em Fátima até ao próximo sábado.

A iniciativa, promovida pela Comissão Nacional da Pastoral da Saúde da Igreja Católica Portuguesa, está subordinada ao tema "Cuidados de Saúde, Lugares de Esperança (A Saúde em Portugal)".

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