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Mortes por cancro do estômago acontecem mais no Norte

Mortes por cancro do estômago acontecem mais no Norte

Um estudo da Universidade de Coimbra conclui que Grande Porto, Cávado, Tâmega e Minho-Lima são as regiões do país com maior número de óbitos por cancro do estômago.

As zonas da Grande Lisboa, Grande Porto, Baixo Alentejo e Algarve registam a taxa mais elevada de mortes devido a cancro nos brônquios e no pulmão, diz o mesmo estudo, hoje anunciado numa nota de imprensa da Universidade de Coimbra (UC).

O estudo, ainda em curso, procura analisar a variação geográfica dos óbitos causados por diferentes tipos de cancro, em Portugal Continental, e estimar a sua associação a fatores sociais e ambientais.

A equipa multidisciplinar da UC, com investigadores das Faculdades de Ciências e Tecnologia (Centro de Investigação em Antropologia Saúde -- CIAS) e de Letras (Geografia), analisou os óbitos ocorridos entre 2007 e 2009, causados por 14 tipos de cancro, nas 28 regiões definidas pela divisão territorial NUT III (Unidades Territoriais Estatísticas de Portugal).

Manuel Alvarez e Helena Nogueira, coordenadoras do estudo, citadas na nota da UC, realçam que o conhecimento da variação da patologia ao longo do território nacional "é bastante útil para a definição de áreas de risco, por tipo de cancro, e relevante para os cuidados primários de saúde, permitindo o desenvolvimento de ações de prevenção dirigidas e a alocação de recursos adequados para a melhoria da qualidade dos serviços médicos".

A UC diz também que, nesta primeira fase do estudo, no âmbito da relação entre doença e a sociedade, em que a equipa estabeleceu os padrões de mortalidade por tipo de cancro, foram encontradas associações significativas entre o aumento do risco de morte e os indicadores de desenvolvimento socioeconómico das regiões estudadas.

Foi igualmente observada, diz a Universidade de Coimbra, "uma correlação negativa entre os indicadores de desenvolvimento e quase todos os tipos de cancro, com a exceção do cancro do pulmão, que apresenta uma correlação positiva com o índice de educação e cultura".

O estudo prosseguirá agora no terreno, com a aplicação de inquéritos individuais para se perceber em detalhe os fatores que mais influenciam a doença.

"Vão ser avaliados fatores como qualidade do ambiente -- natural e construído --, os hábitos alimentares, os acontecimentos de vida (divórcio, desestruturação familiar, etc.) e o desemprego, entre outros", concluiu a Universidade de Coimbra.