Sociedade

Novos casos de legionela devem surgir até dia 20

Novos casos de legionela devem surgir até dia 20

Apesar de o número de novos casos de infeção estar a baixar, o diretor-geral de Saúde admitiu, esta quinta-feira de manhã, que o surto de infeção por legionela que se verifica em três freguesias de Vila Franca de Xira deverá continuar a registar novos casos pelo menos até ao dia 20, quando se completam 10 dias sobre o encerramento das torres de arrefecimento de várias fábricas da região, tidas como o potencial foco da infeção.

Aos jornalistas, Francisco George explicou que "à luz do princípio da precaução" e após a colheita de amostras feitas em pelo menos três fábricas da zona do Forte da Casa e Póvoa de Santa Iria na noite de domingo e madrugada de segunda-feira, as autoridades de Saúde e do Ambiente decidiram, na segunda-feira de manhã, dia 10, encerrar várias torres de arrefecimento que se suspeita tenham sido o foco da disseminação da bactéria.

"As pessoas que ali vivem e trabalham deixaram de correr riscos a partir do momento do encerramento das torres", disse, hoje, numa declaração na Direção Geral de Saúde (DGS), explicando que, como a bactéria tem um período de incubação que pode ir até 10 dias, é normal que continuem a surgir novos casos de infeção até dia 20.

Para hoje, até ao fim do dia, são esperados os resultados das análises às culturas de bactérias que foram colhidas nas fábricas e nos doentes infetados, e que estão a ser feitas pelo Instituto Nacional de Saúde Pública dr. Ricardo Jorge (INSA). "Em breve, estas medidas terão resultados. Esperemos que demonstrem uma relação causal [entre as bactérias identificadas nas fábricas e as que infetaram os doentes]. Mas há muitos surtos descritos na Europa e na América onde essa imputação causal não foi possível", disse Francisco George, recusando dizer se as operações de limpeza das torres feitas por algumas dessas empresas podem comprometer o resultado das análises.

O diretor-geral de Saúde confirmou que há cinco óbitos confirmados por legionela e quatro óbitos por confirmar, o que eleva para nove o número de mortes relacionadas com este surto. Dois dos óbitos ainda em fase de confirmação ocorreram fora da zona da Grande Lisboa, disse, sem adiantar o local onde as mortes tiveram lugar e remetendo mais dados para o comunicado que será divulgado pelas 17 horas.

Esta tarde, na DGS, terá lugar uma nova reunião, desta vez envolvendo também o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) no âmbito da investigação epidemiológica que está a ser feita á origem deste surto. De acordo com o DGS, vão ser analisados dados sobre a direção dos ventos registados por altura da origem do surto para perceber, por exemplo, "como é que pessoas que estavam em casa, sem sair, foram infetadas". Há o caso de uma mulher de 81 anos, acamada há vários anos, que morreu vítima da bactéria, o que indicia que pode ter tido contacto com a bactéria através do ar que entrou por uma janela.

"Estamos perante um surto de grandes dimensões, de especial gravidade", disse o diretor-geral, revelando também que os dias de calor e de humidade tropical registados em meados de outubro criaram as "condições ideias para favorecer a multiplicação da bactéria onde ela existe", que é em todas as linhas

de água, poços e furos.

O diretor-geral de Saúde apelou publicamente ao Sindicato dos Enfermeiros Portugueses para adiar a greve agendada para amanhã, por considerar que o momento "não é oportuno", uma vez que há cerca de 300 pessoas em tratamento com terapêutica endovenosa de 12 dias e quase 50 doentes internados em cuidados intensivos. "Falei pelo telefone esta manhã com a dirigente do Sindicato e expliquei-lhe que, numa epidemia, fazer uma greve não iria dignificar esse processo reivindicativo", disse, acreditando que se o Sindicato for sensível a este apelo, "ficará numa posição cimeira de negociação".