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Prevenção é o melhor tratamento para a enxaqueca

Prevenção é o melhor tratamento para a enxaqueca

De comprimidos a plantas venenosas, vários tratamentos podem ajudar a prevenir enxaquecas, de acordo com novas indicações da Academia Americana de Neurologia. Os peritos alertam para a necessidade de adaptar cada terapêuticas a cada caso.

As novas orientações da Academia Americana de Neurologia podem ajudar milhões de pessoas a reduzir a frequência e intensidade das suas enxaquecas.

Stephen Silberstein, diretor do Centro de Cefaleia Jefferson, da universidade americana Thomas Jefferson University, disse à ABCNews que "cerca de 38% das pessoas que sofrem de enxaquecas poderiam beneficiar de tratamentos preventivos, mas menos de um terço dessas pessoas recorrem a esses tratamentos".

As enxaquecas são um tipo de dor de cabeça frequentemente acompanhado por náuseas, sensibilidade ao som e à luz. Os tratamentos pontuais podem aliviar a dor durante as crises, mas é aconselhável que os pacientes com enxaquecas frequentes façam terapias diárias para prevenir a dor. Estas terapias permitem ainda diminuir o receio sobre quando surgirá a próxima dor de cabeça.

"Aqueles que têm enxaquecas relativamente suaves e pouco frequentes, que respondem bem a tratamentos agudos, não precisam de terapia preventiva", explicou Richard Lipton, diretor do Centro de Cefaleia Montefiore, em Nova Iorque. "Mas se estiver a perder mais de 10% da sua vida com enxaquecas, provavelmente o melhor é tomar medicação diária", afirmou.

Stephen Silberstein reviu, com os seus colaboradores, uma grande quantidade de estudos sobre a prevenção da enxaqueca, para distinguir os tratamentos comprovados daqueles que, provavelmente, são ineficazes.

Entre os que têm "eficácia comprovada" estão medicamentos anticonvulsivos como o Topiramate, betabloqueadores para baixar a pressão arterial e extratos da planta tóxica Butterbur, usada para as inflamações.

"Há muitos tratamentos diferentes, com vários efeitos na fisiologia cerebral", disse Joel Saper, diretor do Instituto Neurológico e de Cefaleia do Michigan. "Algumas pessoas precisam de um tipo de tratamento para se sentirem melhor; outras precisam de outro; outras precisam de vários tratamentos em simultâneo".

Os tratamentos preventivos considerados "provavelmente eficazes" incluem antidepressivos como o Amitriptyline, analgésicos isentos de prescrição médica como o Ibuprofeno e suplementos naturais como a Riboflavina.

"Algumas pessoas dizem que não querem estar medicadas", lembrou Audrey Halpern, neurologista na NYU Langone's Joan H. Tisch Center for Women's Health, em Nova Iorque. "Para elas, poderá ser apropriado começar com um suplemento natural ou outra terapia complementar, para manterem afastadas as dores de cabeça". A neurologista sublinhou, porém, que "natural" não significa necessariamente "seguro".

"Alguns suplementos podem reagir com outros medicamentos", afirmou Halpern. "É muito importante que o paciente fale com o seu médico antes de começar qualquer terapia".

O extrato de Butterbur já é utilizado para tratar enxaquecas há mais de 500 anos. No entanto, só recentemente foi provado clinicamente o seu potencial no tratamento das dores de cabeça.

"A grande vantagem da Butterbur é que tem um perfil de efeitos muito favorável", explicou Lipton, advertindo porém que os suplementos não foram regulamentados pela Administração de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos da América. "Um dos problemas das substâncias naturais é que são muito complexas. São uma sopa bio-química muito complexa", afirmou Richard Lipton.

Prevenir enxaquecas

"O mais fascinante na prevenção de enxaquecas é que quase todas as terapias que temos foram desenvolvidas com outro objetivo e percebeu-se que funcionavam também para prevenir esse problema", explicou Lipton, referindo-se aos medicamentos produzidos para epilepsia e hipertensão que afinal também são uma solução para as dores de cabeça. O médico acredita, no entanto, que "estamos a chegar a uma era em que será possível produzir medicamentos especificamente para tratar enxaquecas".

As novas orientações são semelhantes às do ano 2000, mas com algumas mudanças: o Topiramate é agora considerado eficaz na prevenção de enxaquecas; a Gabapentina e o Verapamil foram despromovidos de "provavelmente eficaz" para uma categoria de tratamentos com evidência "insuficiente" para apoiar ou refutar a sua utilização.

Joel Saper relembra, no entanto, que as orientações só são "úteis como ponto de partida", uma vez que "muitas pessoas respondem bem a medicamentos que não são úteis à maioria das outras pessoas".