Sociedade

Luta de Célia junta vultos da cultura contra esclerose

Luta de Célia junta vultos da cultura contra esclerose

A ideia começou a germinar na cabeça de José Carlos Oliveira há algum tempo. O arquiteto, de 41 anos, colaborador de Álvaro Siza no seu escritório, no Porto, levou, literalmente, um banho de água fria em 2012, quando viu ser diagnosticada à mulher, Ana Célia, decoradora então com 35 anos, uma doença terrível chamada esclerose lateral amiotrófica (ELA). Para os mais distraídos, a mesma que esteve na base da moda de verão dos banhos públicos de água gelada.

Lançou o desafio a Álvaro Siza e a Souto de Moura, mas nenhum dos arquitetos e Prémio Pritzker acedeu a mostrar-se encharcado em público. A solução mais ortodoxa foi usar o génio criativo de ambos: Siza acedeu prontamente, Souto de Moura idem. Doaram desenhos para leilão. "É com muita honra que contribuo para esta causa", reconheceu, ao JN, um comedido Álvaro Siza.

A onda ganhou força. Seguiu-se o contributo dos pintores Armanda Passos, Manuel Cargaleiro e Nadir Afonso (este último, através da viúva, Laura Esteves). José Carlos entusiasmou-se. E os arquitetos Adalberto Dias e Alexandre Alves Costa também disseram presente. "É com muito agrado que eu faço isto, pois é uma doença tão obscura, tão triste, tão frustrante...", contemporiza José Carlos, cujo objetivo agora é materializar a generosidade dos artistas e arquitetos num leilão público, cujos fundos revertam para o combate à doença. O local e a data ainda estão a ser ultimados.