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Ministro diz que há mil médicos especialistas a mais nos hospitais

Ministro diz que há mil médicos especialistas a mais nos hospitais

O ministro da Saúde, Paulo Macedo, disse, terça-feira à noite, no Parlamento, que há mil médicos especialistas a mais nos hospitais portugueses, em contraste com a crónica falta de médicos de família. Uma revelação "bombástica", no dia em que assumiu que o Orçamento de 2012 na área da Saúde tem, à partida, um défice de 200 milhões de euros e que os cortes previstos não irão deixar "incólume" o Serviço Nacional de Saúde.

O titular da pasta da Saúde assumiu que o défice de 200 milhões de euros no Orçamento da Saúde "é uma realidade inelutável" - estão orçamentados 7957 mil milhões de euros para uma despesa de 8157 mil milhões de euros - e explicou que a decisão de assumir "à partida" este desvio visa "romper com práticas anteriores de contar com dotações extraordinárias" para fazer face a "derrapagens orçamentais recorrentes e sempre dadas como inevitáveis".

Numa audição conjunta da Comissão de Saúde e de Orçamento e Finanças, no âmbito da discussão na especialidade OE, Macedo reconheceu que "o SNS não vai ficar incólume" com a redução de cerca de 600 milhões de euros no financiamento, embora tenha voltado a insistir que se tratam de cortes "cirúrgicos" para fazer face a uma "situação de pré-ruptura". Admitiu que será uma execução "bastante difícil", mas mostrou-se confiante que, com o envolvimento de todos os profissionais e dirigentes, será "exequível". E a forma de garantir, no futuro, um SNS para "todas as pessoas que a ele tenham direito, sem discriminações".

A Oposição mostrou-se muito preocupada com o efeito que estes cortes venham a ter na assistência e prestação de cuidados de saúde e, por várias vezes, quis saber quanto é que o Governo espera arrecadar com o aumento das taxas moderadoras. A este propósito, Macedo disse apenas que o OE contempla mais 100 milhões de euros em receitas, e que isso corresponde a um aumento de um para 2%, mas que as taxas moderadoras "não terão um valor determinante".

António Serrano, do PS, alertou que este Orçamento pode "paralisar" o SNS, "se não forem tomadas medidas em tempo útil" e alertou que há "perigos reais de descapitalização e fuga de pessoas que trabalham no SNS para outros países", situação que Paulo Macedo desvalorizou.

Sobre a questão da falta de médicos, Macedo reconheceu que há um défice de médicos de família, mas surpreendeu a sala ao admitir que "há mais de mil" médicos especialistas hospitalares em excesso. Uma "revelação bombástica", disse o deputado do Bloco de Esquerda, João Semedo, lembrando que há alguns meses a Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS) publicou um estudo onde dava conta da falta de mil médicos de família e de 600 especialistas nos hospitais.

Leal da Costa, secretário de Estado da Saúde, explicou que este "excesso de médicos" especialistas nalguns hospitais, em contraste com a falta de médicos de família, só poderá ser resolvida com uma "correcta e programada formação de médicos" de modo a fazer um "reequílibrio na distribuição".

João Semedo, do BE, também desafiou o ministro Paulo Macedo a pôr em discussão pública a reorganização da rede hospitalar de Lisboa, que acusou de estar a ser feita ao sabor dos interesses do grupo Espírito Santo, que vai gerir o novo hospital de Loures. A este propósito, vários deputados quiseram saber se está em cima da mesa o encerramento da Maternidade Alfredo da Costa. Macedo disse que nada está decidido, mas que é uma hipótese que será analisada, frisando que não é possível que tudo fique na mesma com a abertura de um novo hospital na região de Lisboa.

Em relação a novos hospitais, Paulo Macedo assumiu que apenas "o Hospital do Algarve é uma prioridade nacional" e que espera poder avançar com a obra "nesta legislatura", recusando-se a prometer obras para as quais não tem financiamento disponível.

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