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Mudança no SNS é inevitável mesmo se tivesse "todo o dinheiro do mundo"

Mudança no SNS é inevitável mesmo se tivesse "todo o dinheiro do mundo"

O presidente da Plataforma Gulbenkian para um sistema de saúde sustentável afirmou, esta terça-feira, durante o lançamento do projeto, que o Serviço Nacional de Saúde teria de mudar, mesmo que tivesse todo o dinheiro do mundo.

Nigel Crisp, membro da Câmara dos Lordes e diretor Executivo do National Health Service do Reino Unido entre 2000-2006, falava durante o lançamento da Plataforma "Saúde em Portugal: Um desafio para o futuro".

Constituída por uma comissão de vários especialistas internacionais e presidida por Nigel Crisp, esta Plataforma tem como objetivo repensar o sistema de saúde português, estudando formas de manter a equidade, a acessibilidade e a solidariedade social de um modo sustentável.

Para Nigel Crisp, a mudança é inevitável e teria de acontecer, mesmo se o SNS tivesse "todo o dinheiro do mundo".

Esta necessidade de mudança prende-se com as modificações ocorridas na própria sociedade portuguesa, nomeadamente com o aumento da longevidade e das doenças crónicas, adiantou.

"Isto não é apenas sobre dinheiro. Mesmo se houvesse todo o dinheiro do mundo, o SNS tinha de mudar", disse Nigel Crisp, para quem as necessidades do serviço de saúde português têm de direcionar o seu foco para a prevenção e não apenas para as doenças.

O ministro da Saúde, Paulo Macedo, que participou na cerimónia, afastou a possibilidade do SNS ter todo o dinheiro do mundo, ressalvando que a sustentabilidade do sistema "ainda não está assegurada".

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Mas concordou com Nigel Crisp no que se refere aos desafios com que se depara o SNS: a inovação tecnológica, o aumento da longevidade da população e a prevalência das doenças crónicas.

Paulo Macedo lembrou os erros cometidos no passado que "levaram a uma situação de pré-rutura financeira em muitas instituições, cuja repetição poderia conduzir ao fim do SNS", e insistiu na necessidade de "mudar o acessório para manter o essencial".

Para o ministro da Saúde, "é essencial que todos os cidadãos tenham acesso aos cuidados de saúde de qualidade, com custos que sejam suportáveis pelos contribuintes e pelos utentes".

"Queremos que a saúde continue a ter como pilar um SNS sustentável", disse, defendendo que este tenha "uma forte componente de prestadores públicos de grande dimensão diferenciados, com uma componente de educação e investigação que seja uma base do sistema".

O sistema preconizado por Paulo Macedo deverá continuar a ser financiado maioritariamente por "impostos progressivos e de natureza solidária".

O relatório desta plataforma deverá ser conhecido no verão de 2014. Depois disso, em 2015, Paulo Macedo conta conhecer as propostas, tendo assegurado que seguramente algumas delas deverão ser aceites pelo Executivo.

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