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Muitas farmácias vão ficar com as prateleiras vazias

Muitas farmácias vão ficar com as prateleiras vazias

A Associação Nacional de Farmácias (ANF) informou os seus associados que vai adiar a data de transferência das verbas relativas às comparticipações dos medicamentos assumidas pelo Estado. Centenas de farmácias arriscam ficar sem medicamentos já no próximo mês.

O setor está de luto, há 1300 farmácias com fornecimentos suspensos e 600 em risco de fechar. Com esta decisão, referiram vários farmacêuticos ao JN, muitas outras não conseguirão pagar a tempo aos fornecedores, o que significa que ficarão impedidas de fazer novas encomendas. "Vai haver muitas prateleiras vazias em novembro", afirmou fonte de uma farmácia de Matosinhos.

O JN tentou falar com a ANF que não quis fazer comentários à notícia publicada ontem pelo jornal i. Àquele diário, João Cordeiro sustentou que as farmácias só ficarão sem remédios "se a indústria recusar fornecer às farmácias e grossistas o mínimo de condições que oferece ao Estado".

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Ao dia 20 de cada mês, a ANF antecipa às farmácias o montante que cada uma tem a receber do Estado (que paga à ANF a 90 dias) em comparticipações de medicamentos. Em contrapartida pelo crédito, recebe 1,5% da faturação dos associados. Hoje, dia 20, o prazo foi cumprido, mas em Novembro já não será assim.

Alargado para os 40 dias, o crédito da ANF só chegará às farmácias a 10 de Dezembro. Refira-se que a indústria farmacêutica exige à maioria dos grossistas o pagamento a 30 dias e estes exigem o mesmo às farmácias.

O objetivo da ANF, descrito no ofício enviado aos associados, é pressionar os grossistas e, por último, a indústria farmacêutica a aceitarem prazos de 90 dias. "Se a indústria ceder é uma manobra de génio. Se não ceder, não conseguiremos pagar a horas o que vai provocar o colapso das farmácias", referiu, ao JN, um farmacêutico do Porto. Além das farmácias, há também grossistas, já com a corda na garganta, que não conseguirão sobreviver.

A estratégia da ANF poderá, no entanto, não ter pernas para andar. É que a Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica (Apifarma) informou, ontem, que a Lei da Concorrência não permite que os prazos de pagamento entre os agentes económicos sejam concertados. A Apifarma lamenta, assim, que se tomem "decisões que dificultam o acesso dos doentes aos medicamentos".

Outra responsável de uma farmácia, ouvida pelo JN, vê a medida da ANF como uma cartada final. "A associação [através da Finanfarma, empresa de factoring] já tem muitas dificuldades em financiar-se na banca. As taxas de juro que lhe são exigidas já não compensam a percentagem que as farmácias pagam porque a nossa faturação está sempre a baixar", explica. v

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