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Ordem dos Médicos quer apurar responsabilidades no caso do doente de Chaves

Ordem dos Médicos quer apurar responsabilidades no caso do doente de Chaves

O Bastonário da Ordem dos Médicos, José Manuel Silva, lamentou, esta quarta-feira, o caso do doente de Chaves que foi recusado em vários hospitais por falta de vagas e acabou por ser recebido apenas pelo Hospital de Santa Maria, em Lisboa, pelo que já solicitou à Inspecção-Geral das Actividades em Saúde as conclusões do inquérito à situação.

"É inaceitável que um doente politraumatizado tenha de percorrer centenas de quilómetros para ser devidamente assistido", afirmou José Manuel Silva frisando, ainda "que não há discussão sobre isto e que algo correu mal e que o Sistema Nacional de Saúde (SNS) falhou", acrescentou durante uma visita ao Hospital de Macedo de Cavaleiros, inserida num périplo por vários concelhos do distrito de Bragança.

A Ordem dos Médicos quer saber o que falhou no caso do doente de Chaves, "para podermos entender se tem a ver ou não com os cortes na Saúde e com a desorganização que isso provoca e impõem ao sistema".

O responsável acredita que "a incapacidade de resposta" na situação concreta "mostra que o SNS está a falhar e o Ministério da Saúde tem de olhar com outro cuidado para os doentes que precisam de um serviço de qualidade e eficiência".

Também o congestionamento de doentes nos vários serviços do Hospital de Guimarães mereceu a atenção do bastonário, uma vez que tanto a Urgência, como os serviços de Medicina e Cirurgia têm camas nos corredores, onde os doentes são atendidos e tomam banho.

Este problema deriva, segundo José Manuel Silva, do número "insuficiente" de camas hospitalares, muito abaixo da média da OCDE e cerca de um terço do que se passa na Alemanha, que leva "à desumanização" dos serviços.

"O Governo por razões economicistas tem fechado mais camas hospitalares, mas os doentes continuam a existir e a precisar de serem tratados. Se não há um número de camas suficientes os doentes são tratados em macas ou nos corredores", referiu.

O bastonário diz que encontrou 39 doentes internados em macas no serviço de Urgência do hospital de Aveiro, e com uma taxa de ocupação superior a 200%, o que "traduz a falência completa do sistema e o responsável é o Ministério da Saúde porque levou os cortes além do indicado pela Troika". Os cortes estão a ter consequências no sistema "em última instância quem sofre são os doentes, o que é inaceitável", realçou.

Para indagar o que se passa nos hospitais a Ordem dos Médicos começou a visitar todos os distritos para falar com os profissionais. José Manuel Silva aconselha o Ministro da Saúde, Paulo Macedo, a fazer o mesmo.