Serra Leoa

Português em Freetown diz que há "menos beijos e abraços" devido ao Ébola

Português em Freetown diz que há "menos beijos e abraços" devido ao Ébola

Um português, a trabalhar há um ano na Serra Leoa, conta que há mais cuidados generalizados devido ao surto do vírus Ébola, "menos abraços, menos beijos, mais lavagens e desinfeções". Funcionário de um hotel em Freetown, prepara-se para viajar para gozar férias em Portugal.

Luís Araújo, de 39 anos, é o responsável pelo setor de comidas e bebidas de um hotel de uma cadeia internacional e prepara-se para viajar para Portugal em gozo de férias. Ele e os outros dois compatriotas que trabalham na mesma unidade hoteleira tentaram há mais de uma semana obter informações sobre o vírus do Ébola através de correio eletrónico junto da embaixada portuguesa de Dacar, que serve a região, mas até agora "nenhuma resposta".

"Para aqui estamos. Com mais cuidados. Lavamos mais vezes as mãos, há mais atenção, utilizamos mais vezes o desinfetante. É o que se vai fazendo, mas o epicentro da epidemia está mais para o interior do país. Por aqui, nunca vi nada", descreveu à agência Lusa, por telefone, acrescentando, bem-humorado, que "há menos abraços, menos beijos".

O emigrante português mostrou-se esclarecido sobre as simples formas de contágio da doença, que "pode ser através de um mero aperto de mão", desejando não ter de vir a conhecer, "como até agora, felizmente", qualquer instalação hospitalar da Serra Leoa.

O vírus é transmissível através de contacto direto com sangue, líquidos ou tecidos de pessoas ou animais infetados.

"Vamos agora de férias a Portugal, mas não penso deixar isto. Gosto muito de estar a viver em Freetown e vou voltar, claro", assegurou, relatando que os outros cinco portugueses de que tinha conhecimento na cidade já terão sido evacuados, "entre quarta e quinta-feira".

O surto de Ébola na África Ocidental (Guiné-Conacri, Libéria, Serra Leoa e Nigéria) é, até agora, o maior em quatro décadas, tendo vitimado 961 pessoas, de um total de 1779 contagiadas.

A diretora-geral da Organização Mundial de Saúde declarou um estado de "emergência de saúde pública de alcance mundial" e pediu ajuda à comunidade internacional, porque aqueles países "não têm meios para responderem sozinhos".

A União Europeia, além dos 3,9 milhões de euros colocados à disposição do combate à epidemia, deverá instalar, nos próximos dias, o seu laboratório móvel (EMLab), precisamente na capital da Serra Leoa.

Portugal anunciou que criou um "dispositivo de coordenação" que está em alerta e "mobilizará e ativará recursos que sejam adequados a cada situação" de infeção pelo vírus do Ébola que venha a ser identificada.