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Profissionais de saúde aprendem técnicas de defesa pessoal para se protegerem das agressões

Profissionais de saúde aprendem técnicas de defesa pessoal para se protegerem das agressões

Profissionais de saúde que trabalham em "locais de risco", como urgências, emergência médica e serviços de psiquiatria, vão aprender técnicas de defesa pessoal para se poderem proteger das agressões de que são vítimas no trabalho.

Um estudo coordenado por André Biscaia em 2007 revela que cerca de metade destes profissionais vão ser ou foram vítimas de, pelo menos, um episódio de violência por ano e, normalmente, quem é vitimado uma vez acaba por sê-lo mais vezes.

O Relatório de Avaliação dos Episódios de Violência Contra os Profissionais de Saúde, divulgado em Novembro, apontava uma diminuição do número de agressões, que passaram de 174 em 2009 para 79 em 2010.

Para dar a conhecer acções de auto-proteção, meios de prevenção e técnicas de defesa pessoal, o Instituto Superior de Saúde do Alto Ave realiza na quarta-feira o seminário "Defesa pessoal para profissionais de saúde", que terá como formador Daniel Vieira, instrutor de 'Krav Maga', uma arte marcial israelita que ensina as pessoas a defenderem-se.

Daniel Vieira disse à Agência Lusa que a ideia de realizar este curso para enfermeiros, socorristas, médicos, técnicos e auxiliares surgiu de relatos que ouvia nas suas aulas de profissionais que já tinham sido agredidos.

"Estas situações acontecem mais frequentemente nas urgências e na emergência médica e ficam dentro do estabelecimento, não havendo queixas, nem seguimento jurídico", lamentou.

Também acontecem nos serviços psiquiátricos, mas são casos diferentes. Outro público-alvo deste curso -- que contará com cerca de 30 profissionais - são os farmacêuticos, muitas vezes vítimas de assaltos nas farmácias onde trabalham.

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O instrutor estudou este problema em França, onde tem havido um aumento significativo destes casos. Apesar das medidas tomadas naquele país para evitar estas situações, o Observatório de Segurança 2010 registou uma subida 512 casos em 2009 para 920 em 2010.

"Em França, há muitos planos para evitar estas situações", nomeadamente o de os socorristas só entrarem nos hospitais com acompanhamento policial, que também deviam ser aplicados em Portugal, defendeu.

Estas situações levam a que os profissionais se sintam, às vezes, inseguros para exercer a profissão, frisou.

Com motivos para estes casos, Daniel Vieira aponta o tempo de espera nas urgências hospitalares e o ambiente, que "propiciam um descontentamento nas pessoas e potenciam estas situações".

"Depois da irritabilidade, vem a raiva. Toda a gente quer ser atendida, toda a gente pensa que é a mais doente e o técnico de saúde é quem dá a cara" e a segurança é escassa nos hospitais, observou.

Por outro lado, "os profissionais trabalham, muitas vezes, em turnos de 12 horas, o que também não ajuda muito. A motivação, a concentração e o atendimento, por mais que se queira, não consegue ser o melhor".

"A agressão surge muitas vezes pela oportunidade, mas há maneiras e forma de reduzir estas situações", sublinhou, adiantando que "a formação vai basear-se em como gerir o conflito e controlar o agressor" e ensinar medidas de prevenção no interior e exterior de diferentes locais de trabalho.

O 'Krav Maga' é ministrado na maioria das forças militares e policiais do mundo e tem como principias vantagens o aumento da autoconfiança, criação e manutenção do bom nível físico, redução do stress pelo alheamento temporário dos problemas diários.

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