Sociedade

Redução das receitas com transporte de doentes não urgentes chega a 70%

Redução das receitas com transporte de doentes não urgentes chega a 70%

Os bombeiros de Sintra e Amadora tiveram uma redução de 70% das receitas com o transporte de doentes não urgentes desde que as novas regras de pagamento entraram em vigor, disseram, esta quinta-feira, responsáveis do sector.

"A alteração das regras do serviço de transporte de doentes não urgentes implicou uma drástica redução de receitas que, em muitos casos, chega a 70% dos valores auferidos antes da entrada em vigor das referidas regras de pagamento", disse hoje José Marques, do Secretariado das Associações dos Concelhos de Sintra e Amadora numa conferência de imprensa.

Em causa estão as novas regras de pagamento do serviço de transporte de doentes não urgentes impostas em Setembro pela Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT), que alteram o preço por quilómetro e não contemplam o retorno do doente transportado aos hospitais.

Segundo José Marques, as novas regras vão deixar as associações humanitárias de bombeiros voluntários "à beira da falência, sem dinheiro para pagamento de vencimentos e fornecedores".

O responsável alertou ainda para que, a curto prazo, as associações podem ser "obrigadas" a despedir "muitos funcionários", alguns dos quais bombeiros voluntários.

Isso vai impossibilitar a prestação "nas melhores condições de socorro e emergência às populações, nomeadamente nas situações de incêndio, desencarceramento de sinistrados, socorro às vítimas de acidentes de viação e socorro em casos de inundações, entre outros", alertou.

Por seu lado, o presidente da Federação dos Bombeiros do Distrito de Lisboa, António Carvalho, pediu uma "discriminação positiva" para aquele distrito, alegando que se perde "muito mais tempo a fazer um serviço do que os colegas do Alentejo ou do Algarve, por exemplo".

As dez corporações de bombeiros de Sintra e Amadora presentes na conferência de imprensa reafirmaram a intenção de suspender o serviço de transporte de doentes não urgentes a partir de 04 de Janeiro, se a ARSLVT mantiver as novas regras que estabelecem o pagamento de apenas 20 por cento do transporte dos doentes.

Segundo as contas de António Carvalho, os bombeiros vão transportar doentes por 1,50 euros.

"Quando isto implica quatro viagens, estamos a fazer o serviço por 75 cêntimos por viagem. Ora isto, nem é o preço de um bilhete pré-comprado em qualquer transporte público", afirmou.

António Carvalho ressalva que "é insustentável para as associações de bombeiros continuarem a fazer o serviço nestas condições", tal como é "inconcebível" que o retorno do doente não seja pago.

"Isto traz constrangimentos financeiros às associações que são incomportáveis manter", defendeu.