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Sol agora é tão perigoso como no verão

Sol agora é tão perigoso como no verão

"Proteja-se". Este é o principal conselho dos especialistas neste verão antecipado. Pensar que o sol nesta altura não faz mal é um engano: a radiação é igualmente nociva para a pele. Por isso, nos passeios à praia e atividades ao ar livre use creme protetor e evite o pico solar entre as 12 e as 16 horas.

O inverno em Portugal ficou marcado pela falta de precipitação e por temperaturas acima dos 20º que anteciparam a opção por roupas mais frescas e encheram parques, jardins e praias nos passeios de fim de semana. Mas "não faça do passeio uma agressão", alerta Manuela Pecegueiro, diretora do serviço de dermatologia do Instituto Português de Oncologia (IPO) de Lisboa.

"A época balnear ainda não começou e não há chapéus para alugar. As pessoas vão em passeio (não vão carregadas com chapéu de sol) e acabam por expor-se ao sol após as 12.00 horas", acrescentou ao JN.

"As praias estão cheias, mesmo no Norte há muita gente a fazer praia", adiantou Américo Figueiredo, presidente da Sociedade Portuguesa de Dermatologia e Venereologia (SPDV), considerando que "as pessoas estão desinformadas" e "pensam que a quantidade de radiação não é tão violenta, que não vão queimar-se".

"Como radiação é cumulativa, vai acumulando na pele (pois a pele tem memória) e os efeitos nocivos dos raios UV deste verão precoce vão somar-se aos dos meses de verão", explicou.

Manuela Pecegueiro lembra que "o melanoma (forma mais agressiva de cancro da pele) tem aumentado, os diagnósticos fazem-se cada vez mais cedo e há cada vez mais casos entre os jovens. É dramático".

Este alerta ganha relevo, pois "aproximam-se as férias da Páscoa e com previsões de bom tempo as pessoas vão para a praia com os mais pequenos". Por outro lado, "há muitos jovens desempregados que acabam por também passar o dia na praia".

"Apesar de não se queimarem tão facilmente nesta época, porque o sol está mais baixo, a radiação que queima e que faz mal é a mesma", destaca o presidente da SPDV.

A diretora do serviço de dermatologia do IPO critica a ideia generalizada de que "só acontece aos outros" para a maioria das pessoas ignorarem os apelos de sensibilização sobre os cuidados a ter na exposição solar. E aponta ainda outro "problema": "a crise leva as pessoas a pouparem no protetor solar que, mesmo nos supermercados, ronda os 15 euros".

Para ter eficácia, "o protetor solar deve ser posto de 10 em 10 minutos", mas "não é uma armadura: deve evitar-se as horas de pico solar (entre as 12.00 horas e as 16.00 horas) e as crianças devem ter sempre chapéu e t-shirt", relembra Manuela Pecegueiro.

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