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Sementeiras da primavera estão em risco no Norte

Sementeiras da primavera estão em risco no Norte

A seca está a esgotar as reservas de palha no Norte e, se as temperaturas aumentarem, podem não ser efetuadas as sementeiras primaveris na região. No Centro, regista-se uma quebra generalizada em todas as culturas temporárias. Em Lisboa e Vale do Tejo, os produtores tentam vender mais gado para diminuir os encargos.

Os dados do segundo relatório do grupo de trabalho de acompanhamento e avaliação dos impactos da seca em 2012, divulgado pelo ministério da Agricultura, reportam-se a informação meteorológica e hidrológica de 29 de fevereiro e a avaliações feitas na segunda quinzena desse mês.

No diagnóstico da zona Norte, o documento indica a falta de água no solo, o excesso de frio e as fortes geadas para explicar os condicionamentos do desenvolvimento dos prados e pastagens, ferrãs e dos cereais de outono/inverno.

"Em algumas zonas, as batatas temporãs ainda não foram plantadas e na atividade pecuária está a verificar-se o esgotamento das reservas de alimentos grosseiros (fenos, palhas e silagens) para os animais", lê-se.

Segundo o relatório, o volume nas reservas hídricas, inferior aos do ano passado, começa a "levantar grandes preocupações quanto às disponibilidades de água para a rega".

Se as temperaturas "começarem a subir, podem surgir situações em que os agricultores não vão arriscar efetuar as sementeiras de primavera".

Os preços dos fardos de palha e feno aumentaram cerca de 30%, indica o grupo de trabalho na caraterização da situação na região Norte.

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O relatório indica que os citrinos estão afetados na quantidade e na qualidade, a floração das amendoeiras está atrasada e as quebras de produção nomeadamente na batata primor, no feijão e nas couves pode oscilar entre 20% a 40%.

O grupo de trabalho nota ainda que a diminuição do caudal no rio Minho está a condicionar a captura de lampreia.

Culturas temporárias com quebra generalizada,

As produções agrícolas das zonas do interior são as mais atingidas no Centro, com o registo de uma quebra generalizada em todas as culturas temporárias.

"Há indícios de maior consumo de água e energia em todas as culturas, sobretudo nas zonas do interior e um aumento generalizado do consumo de suplementos de alimentação animal", lê-se no relatório.

Os prados, as pastagens e as culturas forrageiras têm um crescimento quase nulo na Beira Serra e no Baixo Côa e Riba Côa.

O documento refere que na Campina e no Campo Albicastrense estão a alimentar-se ovinos e caprinos de leite e vacas aleitantes com alimento seco, em vez de componente verde, o que "está a afetar a produção leiteira dos pequenos ruminantes".

Nos cereais de outono/inverno, as quebras de produção podem ser da ordem dos 10% a 50%.

No diagnóstico dos recursos hídricos da região Centro, regista-se falta de água nos poços e charcas e a não reposição dos lençóis freáticos no Baixo Vouga, no Alto e no Baixo Mondego e no Cimo Côa e no Riba Côa. Na Cova da Beira, as nascentes têm caudais iguais aos do verão.

Produtores tentam vender mais gado

O relatório do Ministério da Agricultura dá conta da tentativa de venda de mais cabeças de gado na região de Lisboa e Vale do Tejo para diminuir os encargos das explorações pecuárias no contexto da seca, uma vez que estão obrigados a recorrer a rações industriais, fenos, palhas e silagens para alimentar os animais.

O grupo de trabalho caracteriza como "bastante preocupante" e a "agravar-se de dia para dia" a situação das forragens anuais, das pastagens de sequeiro e da pecuária extensiva.

Nos cereais de outono/inverno "houve produtores, que entretanto, desistiram de fazer as sementeiras".

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