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Tatuagem: a difícil arte de apagar paixões

Tatuagem: a difícil arte de apagar paixões

Tatuar o nome do namorado ou do cônjuge está na moda, mas esta tentativa de perpetuar uma relação é uma dor de cabeça para os tatuadores, que recebem cada vez mais pedidos para tapar os nomes das paixões, quando estas acabam.

"Não tatuem os nomes dos namorados, por favor, pois dá muito trabalho tapar", apela bem disposto o tatuador Theo, um dos presentes no Festival de Tatuagens, que decorre no Pavilhão Atlântico, em Lisboa.

O tatuador confessa que "há nomes difíceis de tapar" e que, em certos casos, só o recurso ao lazer é que pode tapar a memória -- escrita no corpo -- de uma relação que acabou.

Também a tatuadora Ana, que exibe um corpo com tatuagens de "um pouco de todos os motivos", disse à agência Lusa que não são raras as vezes que lhe pedem para apagar um nome.

Já aconteceu com ela e talvez por isso agora só tenha o nome do filho.

A tatuadora Arianete é fã de nomes no corpo, mas dos filhos, e "em português".

Questionada pela Lusa sobre o gosto dos portugueses em matéria de tatuagens, Arianete disse que elas preferem "muita cor e motivos muito floridos", enquanto eles "optam por motivos mais artísticos".

Ricardo, 38 anos, tinha 25 quando fez a primeira: um dragão. Fê-lo para "marcar a diferença". Hoje, o seu corpo está cada vez mais coberto, mas apenas com desenhos com "grande significado", como o nome dos filhos ou o lema da sua vida.

Aproveitou o Festival de Tatuagens para acrescentar mais uma imagem no braço. Desta vez, optou pelo seu herói de banda desenhada: Hulk.

Não sente dor e acredita que as tatuagens de que se cobre são "para toda a vida".

Nos últimos 13 anos, desde que fez a primeira tatuagem, esta moda, ou arte, evoluiu muito, como reconhece Ricardo e o seu tatutador, Theo.

"As máquinas são mais silenciosas, há mais higiene e precauções em termos dos cuidados de saúde", disse Ricardo.

Questionado sobre qual a tatuagem que faria, se apenas tivesse espaço e oportunidade para mais uma, Ricardo não hesita: a imagem dos filhos e dos pais.

Pedidos simples, se comparados com alguns que Theo recebe. "Já fiz riscos em redor de um braço, uma caveira na testa ou um sapo esmagado debaixo do pé", contou à Lusa.

A este artista -- que tatua há 12 anos e fez a primeira tatuagem no seu corpo há 21, um unicórnio, entretanto tapado -- chegam essencialmente pedidos de retratos, já que é esta a sua especialização.

Os 60 tatuadores nacionais e internacionais presentes no Pavilhão Atlântico apresentam nos stands exemplos do seu trabalho. Há de tudo: tatuagens de figuras, cães e pessoas, momentos marcantes como um parto e muitos, muitos símbolos.

Segundo a organização, o festival foi visitado no sábado por mais de 3.000 pessoas.

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