Sociedade

Teste de ADN nega filha encontrada no Facebook

Teste de ADN nega filha encontrada no Facebook

A emigrante portuguesa que em Fevereiro anunciou ter encontrado no Facebook a filha perdida durante as enxurradas do Estado de Vargas, Venezuela, há 12 anos, recebeu os resultados de testes ADN, que não confirmaram o parentesco entre elas.

"As provas (de ADN) deram negativo, não confirmam que ela era a minha filha. Acabo de falar com a Carla (a jovem) e expliquei-lhe que as coisas são assim, não se pode andar com mentiras, mas que nada vai mudar no nosso relacionamento", disse Lucinda Nunes à Agência Lusa.

A emigrante mostrou-se surpreendida pela decisão mas garante que as duas se manterão em família. "Desde que a vi, para mim ela é minha filha, é o destino, se ela está comigo por algo será. Continuaremos juntas e vou continuar à procura de Angely, até à última gota da minha vida, nada nem ninguém me impedirá", disse Lucinda Nunes, que chegou a fazer-se passar por freira para ver aquela que pensava ser a filha.

Lucinda Nunes explicou que já falou com os filhos, o marido e algumas pessoas da família sobre os resultados. "Nada vai mudar, viemos fazer uma prova, só isso. Foi só para tirar dúvidas, mas isso não influi em nada, o mundo gira e nós avançamos com ele", afirmou.

Por outro lado, a jovem explicou telefonicamente à Agência Lusa que ficou surpreendida pelo resultado das provas.

"Estou triste porque a quero muito, para mim Lucinda é como a minha mãe, vamos continuar juntas, não quero falar mais sobre isso", afirmou Angely, que chegou a viver na rua e passou fome.

O caso remonta a Dezembro de 1999, quando chuvas torrenciais provocaram deslizamentos de terra em quase 80 quilómetros de zona costeira o Estado de Vargas (a norte de Caracas).

A filha de Lucinda Nunes, Angely Sofia Nunes, na altura com 10 anos de idade, passava uns dias em casa de familiares na localidade de Carmem de Úria. A casa onde estava desapareceu, sobrevivendo apenas um dos parentes. A localidade foi declarada inabitável.

Três meses mais tarde, a portuguesa viu uma jovem que pensou ser sua filha numas imagens de televisão, situação que levou a emigrante a reforçar as buscas.

Em Fevereiro, Lucinda Nunes anunciou ter encontrado a filha, através do Facebook, estando à espera das provas de ADN feitas na Venezuela que confirmassem o parentesco, um resultado ao qual nunca teve acesso, e decidiu viajar para Madeira para fazer os testes em Portugal.

A jovem que acreditava ser a sua filha chama-se Carla Ures, tem legalmente 18 anos de idade, mas pensa ter 21 e estava aos cuidados de freiras numa instituição caraquenha.

Na sua memória estão frescos apenas os acontecimentos dos últimos seis anos. Recorda-se que, depois da tragédia (enxurradas), viveu com uma senhora que é incapaz de identificar e a quem "não chamava mamã" e por isso hoje acredita ter sido abandonada.

Um dia foi levada para o colégio e ninguém a foi buscar, depois apareceu um polícia que a levou a um lar onde chegou "envergonhada, de olhar cabisbaixo", porque não sabia como se chamava. Foi lá que lhe disseram que se chamava Carla e que a sua família tinha morrido.

Por não gostar das regras do lar fugiu com uma amiga e chegou a viver nas ruas de Caracas até ser ajudada pelas freiras da instituição que a acolheu dois anos até ao encontro com Lucinda Nunes.