Touradas

Touradas movimentam vários milhões de euros

Touradas movimentam vários milhões de euros

Dos criadores do cavalo Puro-Sangue Lusitano a grupos de forcados, passando pelos veterinários taurinos, a festa brava em Portugal representa um enorme sector em franco crescimento, para o qual os cerca de 760 mil espectadores, só em 2009, não serão surpresa.

São números sem dúvida a ter em conta: desde de 1998 que os espectáculos tauromáquicos, realizados quer em praças fixas ou improvisadas, não arrastavam tanta gente pelo país fora. Se, em 1998, 603 mil pessoas se renderam à 'aficion', mais de uma década depois 757 mil vibraram nos redondéis portugueses.

Os dados da Associação Portuguesa de Criadores de Toiros de Lide (APCTL), relativos a 2009, revelam ainda que aqueles espectadores se dividiram por 331 eventos taurinos - corridas de touros, mistas, novilhadas, novilhadas populares e outros espectáculos taurinos -, tendo sido lidados 1984 touros.

À falta de um relatório actualizado da Inspecção-Geral das Actividades Culturais (IGAC), sobre a época tauromáquica que, habitualmente, arranca no início de Fevereiro e encerra em meados de Novembro, é o próprio Instituto Nacional de Estatística (INE) que traduz o impacto daqueles valores na economia: crescimento de receitas a ultrapassar os 150%.

Segundo João Santos, presidente da APCTL, que representa 92 dos 98 criadores existentes em Portugal, a festa brava movimenta anualmente mais de 16 milhões de euros. "São muitas famílias que dependem desta arte, que não se resume ao criador. Falamos de unidades de exploração até ao simples embolador", frisa, admitindo que a criação de uma secção especializada em tauromaquia no Conselho Nacional de Cultura, pela actual ministra da Cultura, reconhece o peso de um sector. "Mas tal era obrigatório. Só pecou por tardio", realça.

Maus touros oriundos de Espanha

Um cenário bem diferente da vizinha Espanha, onde - entre a queda da quantidade de espectáculos e um excessivo número de toureiros - até já se discute a proibição da festa brava em algumas regiões.

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"Há excesso de criação de touros de lide em Espanha, que são colocados cá a metade do preço e de qualidade muito duvidosa. Para vender lá, temos de cumprir um conjunto de regras. O mesmo não acontece cá", queixa-se João Santos Andrade, apontando a necessidade de fiscalização.

Estima-se que 1500 famílias estejam ligadas à tauromaquia, contando com os 300 toureiros profissionais e outras 3000 pessoas empregadas directamente pelo sector que parece resistir à crise.

Aliás, na catedral do toureio luso, a Praça de Touros do Campo Pequeno, em Lisboa - que não é a maior a nível nacional, refira-se -, a lotação em 2009 esteve sempre acima dos 85%. Isto significa que por espectáculo houve uma média de 5500 pessoas.

"A estratégia para passar ao lado da crise tem sido apostar em muito bons cartéis, com os melhor artistas, conjugando 'veterania' e juventude", explica Paulo Pereira, relações públicas da equipa que gere aquela estrutura, onde a entrada mais barata é de 15 euros e a mais cara pode atingir os 75 euros.

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