Sociedade

Vaga de incêndios está a mobilizar 5500 operacionais por dia

Vaga de incêndios está a mobilizar 5500 operacionais por dia

A vaga de fogos que há 15 dias regista mais de 200 ocorrências diárias emprega em média cerca de 5500 operacionais por dia, mas o dispositivo de combate "está a responder ao exigido" e será reforçado.

A garantia foi dada ao JN pelo comandante nacional de operações de socorro da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC), José Moura, anunciando para esta semana mais dois aviões anfíbios, acrescendo aos dois bombardeiros cedidos por Espanha e dois pela França.

Os aparelhos franceses continuaram a atuar este domingo na serra do Caramulo, onde um incêndio lavrava pelo quinto dia consecutivo, dia em que a situação de risco de incêndio se agravou no país e as condições meteorológicas dificultaram o combate.

Às 23 horas de domingo, a ANPC registava 352 ocorrências e 25 fogos a decorrer em espaços florestais (as registadas em áreas agrícolas também mobilizam meios, mas não entram nestas estatísticas), confirmando o agravamento desde o dia 9, quando se registaram 196, empregando 3578 operacionais.

Uma análise do JN às estatísticas diárias mostra que desde o dia 10 se registaram quase sempre mais de 200 deflagrações (exceção no dia 16, com 179), superando as 250 em sete dias, e uma média diária de 257,75 (estimada à mesma hora). Um quadro de esforço ao dispositivo de combate "cuja resposta tem sido notável", assegura José Moura.

Recordando que já houve períodos similares com médias de 500 deflagrações, envolvendo um número semelhante de operacionais, o comandante nacional sublinha que o problema não é a quantidade mas a "qualidade" das ocorrências, "a que não é alheio o abandono agrícola, o estado das florestas, entre outros fatores". Pela extensão e duração, muitas obrigam a ataques ampliados.

Planeamento cumprido

Analisando-se os dados diários, conclui-se que entre o dia 10 e o passado sábado, foram empregues, em média, 5481,07 operacionais por dia. Em nove dias, o número de combatentes superou os cinco mil e seis dias foram empregues mais de seis mil combatentes, superando os 8500 no dia 20.

Para José Moura, o dispositivo especial de combate, que nesta fase compreende 9337 operacionais, "está a responder ao exigido, dentro do planeamento previsto" na diretiva operacional. Porém, "com a dificuldade inerente a um quadro meteorológico de grande risco". Por isso, a ANPC subiu este sábado o nível de prontidão e resposta para o alerta laranja.

Questionado sobre se há dificuldades de rendição dos combatentes, o comandante nacional assegura que está prevista uma substituição natural de 12 horas, que chega às 24 quando a atividade é menor.