José Luís Peixoto

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A imensa fronteira: uma crónica de José Luís Peixoto

Há três passagens possíveis: Futian, Huanggang e Luohu - correspondem a estações de metropolitano com os mesmos nomes. Em Shenzhen, como em várias cidades da China, o bilhete de metropolitano é uma pequena moeda de plástico que se compra nas máquinas. A partir do hotel em que estava hospedado, Futian era a passagem que mais me convinha, bastaram-me quatro estações para chegar lá. Nessa manhã, chovia bastante. O céu sustentava aquele cinzento absoluto, constante. Apesar do calor escaldante, as gotas grossas não paravam. Fiz um caminho breve debaixo dessa chuva, a arrastar a mala com a mão direita e a […]

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Em busca de personagens: uma crónica de José Luís Peixoto

Conheci a realidade das viagens em grupo há poucos anos. Antes, sabia vagamente que se podia viajar assim, mas não lhe associava nenhuma imagem ou ideia, faltava-me essa experiência. Há alguns anos, quando fui convidado por uma agência para acompanhar uma viagem de grupo ao destino de um dos livros que escrevi, descobri um mundo. Quando era estudante, eu não considerava essa profissão como uma possibilidade. Se tivesse conhecido essa realidade profissional, talvez me tivesse sentido tentado a segui-la. Nesse trabalho, faz-se a gestão de aspetos que influenciam bastante a experiência de viagem dos outros. Em certa medida, esse trabalho […]

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Um espelho no mundo: uma crónica de José Luís Peixoto

No Brasil, chama-se pau de selfie; em inglês, chama-se selfie stick; em Portugal, como acontece tantas vezes nos últimos tempos, usamos a palavra inglesa porque o termo português só serve para atas ou artigos no Diário da República: bastão destinado a autorretratos com telefones móveis. À velocidade vertiginosa dessas «novidades», o dito objeto despertou enormes paixões e, logo a seguir, enormes antipatias. Simbolizou a superficialidade do turismo, simbolizou os objetos baratos que se fabricam na China, simbolizou o egocentrismo, simbolizou as pequenas mentiras das redes sociais. Mas chega o tempo, chega sempre, e vão sendo cada vez menos os sentimentos […]

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"País, cidade, praça, música", uma crónica de José Luís Peixoto no México

País, cidade, praça, música Uma crónica de José Luís Peixoto Centenas ou milhares: um número impossível de contar, como as estrelas. São um sonho surreal, um engano de espelhos, uma história exagerada. Avançamos pela praça da mesma maneira que atravessaríamos um rio, submersos. Para onde olhamos apenas vemos mariacheros. Há novos e há velhos, há altos e baixos, gordos e magros. Mesmo quando usam roupas da mesma cor, brancas ou pretas, é fácil perceber a que formação pertencem, mas são tantos que precisam de distinguir-se uns dos outros. Por isso, há grupos vestidos de todas as cores, a apelar para […]

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