José Luís Peixoto

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Sandaga: uma crónica de José Luís Peixoto

Eis o grande mercado. É como se a cidade crescesse a partir dele, como se existisse apenas para justifica-lo. As ruas de Dakar são os longos braços do mercado Sandaga. Aqui começam todos os cheiros, todos os estímulos dos sentidos. Este movimento é constante e permanente, é imparável, é uma fonte. Passam crianças a empurrar um carro de madeira carregado de bidões de água, as crianças rodeiam o carro com as suas vozes e os seus corpos. Quem irá beber desta água? A tarde começa, o sol queima as cores e, mesmo assim, levo os olhos cheios, estas cores começam […]

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Um espelho no mundo: uma crónica de José Luís Peixoto

No Brasil, chama-se pau de selfie; em inglês, chama-se selfie stick; em Portugal, como acontece tantas vezes nos últimos tempos, usamos a palavra inglesa porque o termo português só serve para atas ou artigos no Diário da República: bastão destinado a autorretratos com telefones móveis. À velocidade vertiginosa dessas «novidades», o dito objeto despertou enormes paixões e, logo a seguir, enormes antipatias. Simbolizou a superficialidade do turismo, simbolizou os objetos baratos que se fabricam na China, simbolizou o egocentrismo, simbolizou as pequenas mentiras das redes sociais. Mas chega o tempo, chega sempre, e vão sendo cada vez menos os sentimentos […]

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"País, cidade, praça, música", uma crónica de José Luís Peixoto no México

País, cidade, praça, música Uma crónica de José Luís Peixoto Centenas ou milhares: um número impossível de contar, como as estrelas. São um sonho surreal, um engano de espelhos, uma história exagerada. Avançamos pela praça da mesma maneira que atravessaríamos um rio, submersos. Para onde olhamos apenas vemos mariacheros. Há novos e há velhos, há altos e baixos, gordos e magros. Mesmo quando usam roupas da mesma cor, brancas ou pretas, é fácil perceber a que formação pertencem, mas são tantos que precisam de distinguir-se uns dos outros. Por isso, há grupos vestidos de todas as cores, a apelar para […]

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Crónica de viagens: José Luís Peixoto em Tbilisi

Na Catedral Sioni, a todas as horas, há um silêncio grave e há mulheres vestidas de negro a acenderem velas muito finas. A seriedade dessas orações e dessas pequenas chamas ajuda a iluminar as riquezas da igreja. As sombras dissipam-se um pouco sobre os frescos das paredes. Os ícones, de influência bizantina, sabem ouvir quem se aproxima a sussurrar preces. A devoção na Igreja Ortodoxa Georgiana é solene e intensa. De regresso às ruas, tudo é novo. Há um instante de surpresa. A claridade ou os movimentos livres das pessoas fazem renascer o mundo. A capital da Geórgia tem hoje […]

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