José Luís Peixoto

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Uqbar: uma crónica de José Luís Peixoto

Num dos seus contos mais famosos, o escritor argentino Jorge Luis Borges escreveu sobre Uqbar, um país que o protagonista/narrador descobre no verbete de uma enciclopédia e que, depois, continua a investigar em diversas leituras. No texto, são revelados bastantes dados acerca desse país, tanto no que respeita à organização social ou à filosofia vigente como também em relação às artes, idioma e outros aspetos estruturais da sua cultura. Entre múltiplas referências bibliográficas, conclui-se que Uqbar não existe realmente. Um dos aspetos interessantes é o contraste entre o pormenor dessa descrição, a coerência do pensamento apresentado e o seu caráter […]

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Lições de simplicidade: uma crónica de José Luís Peixoto

No céu, com liberdade para todos os lados, está um pequeno pássaro. Tem as asas abertas, mas não as bate, apenas administra a sua subtileza, ínfimo coração, pena, penas. Às vezes, fica parado no ar, como se fosse o mundo inteiro que estivesse suspenso, como se fosse este pássaro a única porção de mundo em que se pode realmente confiar. Um pequeno pássaro, uma criatura, a entender o vento, a ver algo que me escapa. Estou deitado no mar das Caraíbas. O sal carrega-me, flutuo sem esforço e sem peso. Assento na água, como se lhe pertencesse. O tempo passa […]

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Em busca de personagens: uma crónica de José Luís Peixoto

Conheci a realidade das viagens em grupo há poucos anos. Antes, sabia vagamente que se podia viajar assim, mas não lhe associava nenhuma imagem ou ideia, faltava-me essa experiência. Há alguns anos, quando fui convidado por uma agência para acompanhar uma viagem de grupo ao destino de um dos livros que escrevi, descobri um mundo. Quando era estudante, eu não considerava essa profissão como uma possibilidade. Se tivesse conhecido essa realidade profissional, talvez me tivesse sentido tentado a segui-la. Nesse trabalho, faz-se a gestão de aspetos que influenciam bastante a experiência de viagem dos outros. Em certa medida, esse trabalho […]

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Um espelho no mundo: uma crónica de José Luís Peixoto

No Brasil, chama-se pau de selfie; em inglês, chama-se selfie stick; em Portugal, como acontece tantas vezes nos últimos tempos, usamos a palavra inglesa porque o termo português só serve para atas ou artigos no Diário da República: bastão destinado a autorretratos com telefones móveis. À velocidade vertiginosa dessas «novidades», o dito objeto despertou enormes paixões e, logo a seguir, enormes antipatias. Simbolizou a superficialidade do turismo, simbolizou os objetos baratos que se fabricam na China, simbolizou o egocentrismo, simbolizou as pequenas mentiras das redes sociais. Mas chega o tempo, chega sempre, e vão sendo cada vez menos os sentimentos […]

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