Naquele tempo, andava Jesus por terras da Luz, quando se aproximaram uns adeptos (na verdade seus apóstolos...) que, vendo-o pensativo, o interpelaram da seguinte forma: Jesus, se fordes embora desta terra mais cedo do que o prometido (na verdade, despedido) será justo que vos paguemos os milhões que ouvimos falar por aí?
Consta que Jesus não terá satisfeito a curiosidade dos seus apóstolos, até porque noutras encarnações, já terá visto voar outros milhões, que nunca mais lhe ressuscitaram nos bolsos. Na parábola do BPP, não houve milagre de multiplicação que lhe salvasse as poupanças!
Mesmo sem ter nenhuma paixão columbófila conhecida, Jesus ainda na época passada aprendeu uma grande lição: mais vale um pássaro na mão que três a voar. Mesmo que sejam todos primos da águia Vitória...
Entre a parábola dos milhões e a vida de nosso Senhor Jesus Cristo só existem dois pontos de contacto, ainda que relativos: a bola que também para e o Jesus que ainda não parou de perder ao leme do Benfica.
Como vaticinei no "Prolongamento", da TVI 24, o Benfica, que não me parecia sair em boa forma da pré-época, corria o risco de começar a época a perder pontos na Madeira. Foi o que aconteceu, ainda que de uma forma excessiva, tendo em conta que era no empate e consequente perda de dois pontos que eu apostava. E acreditava!
Esta derrota tem efeitos agravados quando cotejada com as vitórias expressivas de Sporting e F. C. Porto, sendo certo que, dando de barato que o jogo com o Gil Vicente na Luz poderá não ter história, volto a poder ter razão no meu vaticínio de que à terceira jornada, um mau resultado com o Sporting em Alvalade, somado ao desaire da jornada inaugural, pode tornar a situação de Jesus insustentável.
Se no final do mês voltarmos a ver o Bruno Carvalho aos saltos na relva de Alvalade, é muito provável que Jesus caia, mesmo sem se ajoelhar, atitude sentida que espero não comece a banalizar, reservando-a para as grandes derrotas nos grandes palcos dos sonhos desfeitos.
Imaginando que esta desgraça alheia realmente se processa nestes termos e com este desfecho que antecipo, olhando para a espuma dos dias que correm, já vislumbro o debate que se seguirá. Estando Portugal e os portugueses no estado em que estão (não interessa agora saber qual estado ou que portugueses...) será que Jorge Jesus poderá mesmo receber a indemnização prevista no seu contrato com o Benfica, sendo ela de vários milhões, como dizem?
Existindo portugueses com fome, entre eles certamente até alguns benfiquistas (e não estou a falar da fome de títulos...) deverá o clube da Luz gastar esses milhões com uma pessoa que, ainda por cima deixando de trabalhar, pode mergulhar numa vida eivada de futilidades, mesmo que futebolísticas?
A solução deste problema não se afigura fácil e está-se mesmo a ver que vai acabar nos tribunais. Coisa que hoje em dia, como temos visto abundantemente no caso das candidaturas autárquicas, pode significar que os dois, Jesus e Benfica, poderão averbar vitórias contraditórias em diferentes juízos. O que pode obrigar o Tribunal Constitucional a intervir, como aliás tem vindo a ser recorrente, transformando este órgão num produtor de decisões que já pede meças ao ministério mais produtivo.
Parece-me que já escuto Luís Filipe Vieira a bradar que com o dinheiro do Benfica ninguém brinca e que ele enquanto presidente do clube o pode gastar no que quiser. Até em festas sumptuosas! Há até quem jure que na época passada terá gasto uma boa maquia a pensar em três grandes ideias de festa que tinha e que depois não lhe terá dado jeito fazer.
