Estamos em tempo de eleições autárquicas, mas estamos também em plena época da vindima. As primeiras, em situação normal, só acontecem de quatro em quatro anos, enquanto a vindima há muitos anos que existe todos os anos. 2013 é por isso especial e desde logo porque a AEP, numa iniciativa do projeto Portugal Sou Eu (sucessor do Compro o que é Nosso) decidiu trazer a vindima para o Porto, quando há muito tempo que a cidade do Porto só cheirava as uvas, já vindimadas. Devo dizer que sou apoiante e colaborador deste projeto que vai revolucionar o espaço fronteiro à antiga Cadeia da Relação (onde está hoje o Centro Português de Fotografia) desde a primeira hora e estou ansioso que chegue a próxima sexta, dia 20, para me ensaiar a pisar as uvas num lagar. O que não será a minha primeira vez, mas será seguramente a primeira vez que todos o farão em pleno centro do Porto! À vista de quem quiser ver! Se para a vindima anual, há muita gente que concorre e trabalha durante o ano inteiro para que ela seja o maior sucesso possível, para umas eleições que só é possível emendar quatro anos volvidos, o cuidado a ter na sua preparação e nas escolhas a fazer é ainda mais importante. Na vinha que se vai vindimar não é possível esconder que nem tudo o que não interessa, ou até prejudica, foi irradiado a tempo. As mãos de quem vindima, ou os meios mecânicos nos solos mais afortunados, esbarram e cruzam-se com muito cacho podre, alguma erva daninha e muito bago mirrado. Só com uma escolha aturada se pode contribuir para a elaboração de um vinho que nos encha as medidas, enchendo pelo caminho os cofres das boas empresas da região duriense. Nas autárquicas, lá está, esta escolha tem de ser ainda mais apurada. É preciso distinguir as uvas que nos permitem sonhar com uma colheita vintage, daquelas que apenas almejam ser pequeninas e poupadinhas.
Nos tempos modernos, são as vinhas onde o investimento foi maior, na plantação, nas castas selecionadas, nos tratamentos adotados, nos cascos adquiridos e na qualidade dos enólogos contratados, que dão mais garantias de um bom vinho. De mesa ou do Porto! Também nestas autárquicas o meu conselho para os apreciadores de boas colheitas é que não se deixem levar pelo canto das sereias que gostam de viver em palácios, mas pregam a poupança e a austeridade para os outros. Há que desconfiar quando Lisboa paga a amadores que se desfazem em elogios à capital e ataques aos vizinhos, sabendo-se que a dívida lisboeta é muito superior à dívida de Gaia. Não sendo segredo também para ninguém, que a lei mudou e daqui para a frente, mesmo querendo, nenhum município se pode endividar como fazia até aqui, pelo que os argumentos principais que têm sido esgrimidos contra Luís Filipe Menezes são de uma aldrabice pegada. Entre um Porto poupadinho e de joelhos como Jesus (o Jorge...) e um Porto que arrisca ser mais forte do que é, mesmo que Lisboa não goste, não me assiste a mais pequena hesitação. Luís Filipe Menezes tem melhores ideias e melhor equipa.
