
O realizador em Paris, em 1981
Pierre Verdy/AP Photo
Eric Rohmer, pioneiro da Nouvelle Vague e um dos cineastas mais reconhecidos de França, morreu hoje de manhã, anunciou a sua produtora, Margaret Menegoz.
De nome verdadeiro Maurice Schérer, o realizador nasceu a 04 de Abril de 1920 em Tulle, Corrèze. O seu primeiro emprego foi de professor. Escreveu um romance solitário em 1946 e foi um crítico de cinema marcante durante vários anos.
Rohmer foi o fundador de "La Gazette du Cinèma", uma das primeiras publicações temáticas publicadas em França, de que se tornou chefe de redacção em 1950.
Foi na "Gazette" que conheceu vários dos futuros mestres do cinema francês da Nouvelle Vague, como Jean-Luc Godard, Jacques Rivette, François Truffaut e Claude Chabrol.
Rohmer encontra-os de novo noutra publicação, "Les Cahiers do Cinèma", de que foi chefe de redacção entre 1957 e 1963.
Em 1958, Éric Rohmer escreveu o argumento de "Tous les Garçons S'Apellent Patrick", de Jean-Luc Godard. A estreia atrás da câmara, com "Le Signe du Lion", em 1959, não teve grande êxito.
A reputação de Rohmer como cineasta ficou a dever-se à série de seis filmes "Os Contos Morais", e, a nível de festivais de cinema, com o prémio Méliès para duas das suas obras extra-ciclo.
De 1981 a 1987, empreende outro ciclo de seis filmes, "Comédia e Provérbios" (o mais famoso, "Pauline na Praia"), obtendo com "O Raio Verde" o Leão d'Ouro em Veneza.
Nos anos 90, um outro ciclo faz a sua consagração, os "Contos das Quatro Estações"
Apesar de uma paixão precoce pelo cinema, Éric Rohmer foi primeiro romancista, ou pelo menos queria esse ofício no pós-Guerra: publicou "Elisabeth" em 1946, tinha então 26 anos, e, antes disso, alguns contos, que ele próprio designou como "não sendo leves".
"Há, em todos os meus filmes, qualquer coisa que não é leve", afirmou o realizador numa entrevista em 2007, admitindo que o preocupava que a crítica acusasse alguns dos seus filmes de ligeireza.
Em maio de 2007, Rohmer explicava ao jornal Le Monde que, 60 anos depois, tinha redescoberto o seu romance de 1946, publicado originalmente sob o pseudónimo de Gilbert Cordier.
Este pseudónimo foi o primeiro, antes de Éric Rohmer, mas desagradou-lhe rapidamente.
"Arranjei então o anagrama Rohmer. Hesitei um pouco, pois é um nome usado por outras pessoas. Há outros Eric Rohmer que poderiam ter-me colocado um processo", explicou ao Le Monde em 2007.
"Este nome foi-me muito útil na minha carreira. As pessoas, sobretudo no cinema, gostam de usar adjectivos. Diz-se hitchcockiano, rosselliniano... Rohmeriano soa bastante bem. Teria soado bastante pior com Schérer ou Cordier", explicou.
Discreto, reservado sobre a sua vida privada, Éric Rohmer explicava a sua relação com o cinema como "uma paixão, como outros têm a paixão do jogo ou da pesca à linha".
Cineasta da inocência juvenil e dos primeiros amores, Éric Rohmer tinha uma predilecção pelas histórias de meninas e a crítica francesa elogiava a sua "alegria de espírito e a sedução revigorante".
"Sob a sua aparente ligeireza, ele colocava nos seus filmes um rigor que o coloca entre os grandes cineastas da história", resumiu hoje o director do Festival de Cannes, Thierry Frémaux.
