O Brasil está a estudar a possibilidade de adoptar o sistema português de gestão de acervos de museus, o Matriz, disse à Agência Lusa José do Nascimento Júnior, presidente do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) e do Programa Ibermuseus.
"Estamos analisando a possibilidade de adopção do Matriz", afirmou o presidente do Ibram. O estudo está em fase de análise técnica.
Em desenvolvimento desde 1994, o Matriz consiste numa gama de sistemas de informação para inventário, gestão e divulgação on-line de património.
O sistema permite, por exemplo, o acesso a dados sobre mais de 40.000 bens culturais móveis que integram as coleções dos museus tutelados pelo governo português, através do portal MatrizNet (www.matriznet.imc-ip.pt).
Segundo o representante brasileiro, o México também já manifestou interesse pelo sistema português. O facto foi divulgado durante o V Encontro Ibero-americano de Museus, realizado entre os dias 8 e 10 de Junho, na Cidade do México.
Na ocasião, representantes de 17 nações ibero-americanas, incluindo Portugal e Brasil, assinaram um acordo para a adopção de acções contra o tráfico e comércio ilícito de bens culturais, além de outras medidas de cooperação.
Para o presidente do Programa Ibermuseus, o Matriz "é um programa que tem qualidade", o que justifica o interesse que desperta em outros países.
Nascimento Júnior considerou que as estruturas portuguesas na área de museologia são uma referência para o Brasil e para o mundo.
"O Instituto dos Museus e da Conservação [IMC] é uma referência importantíssima para o Ibram", ressaltou. O Estatuto de Museus brasileiro também foi inspirado na lei quadro dos museus portugueses.
Por esse motivo, o responsável brasileiro expressou preocupação face à possibilidade de que os órgãos culturais portugueses sejam afectados pela crise económica.
"O IMC tem uma importância para toda a área museológica, que não está restrita a Portugal", considerou Nascimento.
No final de maio, o Ibram e o IMC assinaram um protocolo de cooperação que visa criar um sistema unificado de documentação para os museus de todos os países lusófonos.
O sistema vai padronizar em língua portuguesa termos e técnicas de catalogação, o que facilitará a partilha de acervos e, consequentemente, o intercâmbio cultural entre os membros da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa).
"É como se fosse um 'acordo ortográfico' no campo dos museus", disse o presidente do Ibram.
Actualmente, os trabalhos concentram-se no diagnóstico da documentação de todos os países lusófonos.
