
O romance "O teu rosto será o último", de João Ricardo Pedro, venceu o Prémio literário Leya, no valor de 100 mil euros. O anúncio foi feito, esta terça-feira, na sede do grupo editorial Leya. A obra foi escrita quando o autor estava desempregado.
Na cerimónia de atribuição do prémio, o presidente do júri, Manuel Alegre, disse que este foi um dos prémios Leya mais disputados, tendo sido escolhido João Ricardo Pedro "por maioria".
O autor,de 38 anos, não tem obra publicada, é licenciado em Engenharia Electrotécnica, casado, pais de dois filhos e mora em Lisboa, segundo informações biográficas disponibilizadas pelo júri.
Relativamente à obra premiada, "O teu rosto será o último", o júri salientou a "composição delicada de histórias autónomas, que se traçam em fios secretos", considerando que o romance, "apoiado em imagens fortes, constrói um perturbador painel do presente português". À agência Lusa, João Ricardo Pedro revelou: "Escrevi este livro há dois anos, quando fiquei desempregado".
O romance relata a história de uma criança, nascida em Portugal no período da Revolução do 25 de Abril e segue o seu percurso até aos 17 anos, acompanhada pela família. Sobre a possibilidade do livro ser um reflexo da experiência profissional, o escritor esclarece que "há algumas semelhanças, mas não é uma autobiografia".
O júri considerou, também, que "as personagens instigantes, geradas por uma linguagem marcada pelo lirismo e pela violência do quotidiano, transitam em relatos atravessados por elipses e interrogações". Os jurados sublinharam, ainda, o "referencial erudito" e o "poder de imaginação" que o romance, a publicar pela Leya, evidencia.
O Prémio Leya, considerado o de maior valor pecuniário em Portugal, foi criado em 2008 e visa distinguir um romance inédito escrito em português. Este ano, ao galardão candidataram-se 162 romances originais, a maior parte de Portugal e do Brasil, mas também de Inglaterra, França e Itália.
O júri do Prémio Leya é presidido por Manuel Alegre e integra os escritores Nuno Júdice e Pepetela, o professor da Faculdade de Letras de Coimbra, José Carlos Seabra Pereira, o reitor do Instituto Superior Politécnico e Universitário de Maputo, Lourenço do Rosário, e a crítica literária e professora da Universidade de São Paulo, Rita Chaves. Este ano, o grupo de jurados integra um novo elemento, o crítico literário, escritor e jornalista brasileiro José Castello, em substituição do escritor Carlos Heitor Cony.
No ano passado, o júri decidiu, por unanimidade, não atribuir o Prémio Leya. Em 2008 o romance vencedor foi "O Rastro do Jaguar", do jornalista brasileiro Murilo Carvalho, e em 2009 "O Olho de Hertzog", do escritor moçambicano João Paulo Borges Coelho, ambos editados com a chancela da Leya.
