
Uma exposição com cerca de trinta obras importantes da pintora Maria Helena Vieira da Silva (1908-1992), todas recolhidas de coleções de arte que se encontram no país, vai ser inaugurada a 14 de julho, no Porto.
Em declarações à agência Lusa, a diretora do museu em Lisboa, da Fundação Árpád Szenes - Vieira da Silva (FASVS), Marina Bairrão Ruivo, indicou que esta exposição "irá mostrar um best-off da obra da pintora, que ainda se encontra em Portugal".
"Não vai ser uma grande mostra antológica, como aquela que foi feita em Lisboa, pelos dez anos da criação da Fundação, em 2004, mas mostrará muitas obras importantes", destacou, acrescentando que a entidade também irá ceder uma ou duas obras para a exposição.
A FASVS acolhe um importante espólio de Vieira da Silva, que foi estudar para Paris em 1928 e ali viria a conhecer Árpád Szenes, artista húngaro de ascendência judia, com quem se casou em 1930.
Fugindo à chegada da II Guerra Mundial à capital francesa, chegaram a viver juntos em Lisboa, em 1939, mas acabaram por se exilar no Brasil (1940-1947), porque dominava em Portugal a ditadura do Estado Novo.
Oliveira Salazar recusou-se a restituir a Vieira da Silva a cidadania portuguesa, mesmo tendo casado pela Igreja, e os artistas permaneceram apátridas até 1956, ano em que lhes foi concedida a nacionalidade francesa - pelas leis portuguesas da ditadura do Estado Novo, Vieira da Silva perdera a cidadania por se ter casado com um apátrida, um judeu nascido na Hungria, então ocupada pela Alemanha nazi.
"Poderá haver surpresas quanto às obras que o público irá ver", comentou Marina Bairrão Ruivo sobre as obras que estão ainda em processo de recolha por várias coleções de arte existentes em Portugal.
A exposição surgiu por proposta da Fundação EDP, mecenas da FASVS, e ficará patente entre julho e setembro ou outubro deste ano.
Vieira da Silva é uma das artistas portuguesas já desaparecidas mais cotadas a nível internacional.
Em outubro do ano passado, o quadro "Saint-Fargeau" (1961-1965), foi vendido num leilão em Paris por um valor final de 1,54 milhões de euros, batendo o recorde da artista.
A obra tinha estado desde 1994 no museu da fundação da pintora, em Lisboa, cedida pelos herdeiros do colecionador Jorge de Brito. Em agosto acabou por ser retirado para ser vendido com outras peças daquela coleção portuguesa, uma das mais importantes do país.
