
“White settlers”, realizado por Simeon Halligan
DR
Acusado bastas vezes de se ter distanciado do conceito original, o Fantasporto propõe, entre esta terça e quinta-feira, três noites de cinema de terror puro e duro, sem concessões a fórmulas mais comerciais.
Cabe à secção "Extreme horror" preparar os seguidores do festival para a dezena de dias de emoções fortes que o Rivoli vai receber. Uma aposta que não é, por certo, indiferente ao facto de, segundo Mário Dorminsky, diretor do festival, "o cinema de terror ganhar nova pujança em época de crise".
O número recorde de antestreias (48) e o aumento em 50% do número de convidados (mais de 100) são bons augúrios para uma edição que procurará corrigir as más impressões deixadas pela anterior. Dos problemas técnicos de som e imagem ao mau tempo que afastou muitos espectadores das salas, a 34ª edição não deve ter deixado saudades a ninguém. Nem sequer aos próprios diretores.
Mário Dorminsky e Beatriz Pacheco Pereira viram, em 2013, a Procuradoria-Geral da República abrir um inquérito - ainda em curso - à cooperativa Cinema Novo por suspeitas de ilegalidades na gestão do orçamento do festival, na sequência de uma reportagem da "Visão".
De volta ao "Fantas" 2015, há amplos exemplos de que, dentro do festival, cabem outros festivais: a retrospetiva dedicada a Orson Welles, por ocasião do centenário do seu nascimento, é apenas um deles. Ou ainda o ciclo que homenageia uma das duplas mais célebres da História: Fred Astaire e Ginger Rogers.
Dos 173 filmes que vão ser exibidos, mais de um terço, aproximadamente, são produções portuguesas. Número em que se incluem filmes do realizador e produtor Fernando Vendrell, homenageado na 35ª edição do "Fantas".
Bolsa de guiões é novidade
Fora dos ecrãs, o festival volta a acolher um encontro de escolas de cinema e, pela primeira vez, cria uma bolsa de guiões. A iniciativa, que reúne contributos de professores, escritores e estudantes universitários, pretende combater um dos crónicos problemas associados ao cinema nacional: os argumentos de qualidade.
O festival volta a piscar o olho a outras artes, como a pintura, com uma mostra de Manuela Mendes da Silva, e a literatura. Membro do júri, João Tordo apresenta no festival o novo livro, "Biografia involuntária dos amantes".
"Asmodexia"
(hoje, às 21.30 horas)
Filme de Marc Carreté que acompanha cinco dias na vida de um exorcista. O aparecimento de um vírus que afeta os mais desprotegidos obriga o protagonista a cuidados redobrados.
"Beautiful people
(hoje, às 23 horas)
Um médico e cientista é atacado por três homens mascarados. A situação agrava-se ainda mais quando a casa é invadida por monstros inumanos.
"Hunger Z"
(quarta, às 21.30 horas)
Neste filme de origem japonesa, o Mundo é dominado por zombies e os humanos lutam pela sobrevivência.
"Lost after dark"
(quinta, às 21.30 horas)
A estreia do canadiano Ian Kressler conta a história de um grupo de jovens que cai nas mãos de um assassino canibal.
"México bárbaro"
(quinta, às 23 horas)
Película composta por oito "curtas" que demonstram o caráter violento associado à cultura mexicana.
