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Em quase 30 anos de carreira, os Lambchop já fizeram tudo. Ou quase. Musicar um filme original, por exemplo, não constava ainda do longo rol de experiências acumuladas pelo coletivo texano. Hoje, protagonizam filme-concerto no Curtas de Vila do Conde.
Logo à noite, os privilegiados que estiverem no Teatro Municipal de Vila do Conde (cuja lotação já está entretanto esgotada) poderão ver o modo como os autores do imponente "Nixon" vão acompanhar ao vivo um filme do cineasta norte-americano Bill Morrison, naquele que constitui um dos pontos altos da edição deste ano do festivas Curtas de Vila do Conde.
O convite encheu de satisfação os Lambchop, desejosos de voltarem a Portugal, país onde tocaram apenas duas vezes na última década. Mas não apenas por esse motivo. "Há muito que gostava de trabalhar com o Bill Morrison. É um dos realizadores que mais admiro", explica Kurt Wagner ao JN a partir da Nashville natal.
"The dockworkers dream" baseia-se em imagens de arquivos de filmes portugueses das décadas de 10 a 30 do século passado. Imagens "incríveis" que impressionaram o músico: "Contam como era a vida portuguesa nesse tempo e o início das transformações provocadas pela industrialização, ao mesmo tempo que fazem um contraponto com imagens das paisagens. Como músicos, tentámos reagir às imagens".
Cinéfilo desde sempre, Wagner diz "gostar tanto de filmes de autor como de 'blockbusters', mas reconhece, entre gargalhadas sonoras, que de cinema português "pouco ou nada" sabe.
O filme-concerto de logo à noite será tanto mais imperdível, porque, assegura, "não há, para já, quaisquer planos de voltar a fazê-lo". "Será uma experiência única em todos os sentidos", prevê.
A passagem por Vila do Conde marca também o arranque da minidigressão europeia dos americanos. Lisboa é a paragem seguinte (na terça-feira, no Cinema São Jorge), seguindo-se mais meia dúzia de países europeus, entre as quais a estreante Eslovénia. "Há sempre alguma ansiedade no arranque. O que mais me custa, para ser franco, é mesmo andar de avião", confessa, aliviado por "nas viagens europeias andarmos de autocarro".
Com o próximo disco já gravado - faltam apenas as misturas, que deverão ter lugar no final desta 'tournée' -, os Lambchop aprestam-se para chegar aos 30 anos de carreira com um percurso tão sólido quanto discreto. A data pouco diz a Wagner, que, com a boa disposição habitual, atribui o segredo da longevidade ao facto de "não sermos demasiado ambiciosos".
