
Sara Matos/ Global Imagens
O cantor angolano destilou romantismo na Herdade da Casa Branca, perante 42 mil pessoas rendidas a sucessos como "A única mulher" e "Não me toca".
10, 9, 8, 7, 6, 5, 4, 3, 2, 1, mega contagem decrescente no ecrã gigante para receber Anselmo Ralph. Entrou em palco com toda a solenidade e provocou uma explosão de gritos de alegria entre a multidão.
Anselmo Ralph é um pinga-amor e sabe bem que gentileza gera gentileza. Trata bem as meninas, os meninos e o público. Fala de coração aberto e em sintonia com o público, embevecido com os temas românticos e a simplicidade do cantor.
Na reta final do Sudoeste, que termina este domingo, Anselmo pode gabar-se de ter conquistado a maior plateia registada nesta 19.ª edição do festival - 42 mil pessoas, segundo dados da organização. Há quem goste e quem diga que não gosta, a verdade é que todos se concentraram em frente ao palco principal para ver o fenómeno angolano.
O espetáculo é pensado ao detalhe: tudo está sincronizado, coreografado, sem margem para erro. "Difícil", "A única mulher", "Curtição" e, claro, "Não me toca" são os ingredientes essenciais deixar o público ao rubro. Letras na ponta da língua, braços frenéticos e corações derretidos que se traduzem em beijos apaixonados no meio do recinto - a pedido do próprio cantor. Antes de se ouvir "Domesticado", fez questão de provocar a plateia e perguntar às mulheres se tinham o seu "homem domesticado".
Estrategicamente reservada para o encore, agraciou o público com a canção "Muito Obrigado" e apresentou o trailer do seu documentário biográfico "Vontade de viver", que estreia nas salas de cinema portuguesas em setembro. Horas antes, em conferência de imprensa, anunciava também o novo disco, homónimo, que será apresentado num espetáculo no Meo Arena a 5 de dezembro. Sem querer levantar muito o véu, o músico revelou que um dos convidados que o acompanhará neste terceiro concerto no Meo Arena será Pedro Abrunhosa, mas que, a seu tempo, serão anunciadas outras surpresas.
O tom angolano já havia marcado o palco nobre do festival, com o concerto de Pérola. Entrou de gabardina e revelou toda a sua sensualidade minutos depois, perante algumas centenas de fãs e curiosos. Passos de dança, romance e dois convidados especiais: C4 Pedro e Djodje.
A "Casca Grossa" de Regula e a simpatia de Mundo Segundo
Se dúvidas houvesse quanto ao conteúdo das letras de Regula, o nome do novo disco, "Casca Grossa", não dá espaço a enganos. Vernáculo puro e duro e laivos machistas num pano de fundo hip-hop.
Dez minutos após o início do concerto, ainda o público aquecia os motores, Regula lançava um enigmático "Até já Sudoeste" e debandava do palco com a sua trupe. A cantora Vanessa, acabada de chegar, também saiu, sem que a plateia encontrasse qualquer explicação para o sucedido.
"Foi fumar uma broca", ouvia-se na multidão, que, entre o riso e o espanto, tentava encontrar uma resposta para uma saída tão abrupta. Os membros do staff entraram, então, em palco para compor a mesa do DJ que, alegadamente, teria algum problema. Passaram dez minutos até que Regula e os seus convidados tornassem a entrar. Dez minutos que pareceram uma eternidade.
Sem explicação alguma, o concerto prosseguiu. Respeito entre artistas e público tem de ser uma estrada de dois sentidos, mas quem gosta de "casca grossa" sabe ao que vai. Ou não fossem os cartazes a pedir "Regula, regula-me", "Estou a roçar na grossa" ou "Aqui há vegetarianas que comem morcelas".
A 500 metros de distância e no extremo oposto do espetro do hip-hop estava o músico Mundo Segundo. Banda harmoniosa, rimas bem esculpidas e um percurso de duas décadas até chegar à Herdade da Casa Branca. "Foram 20 anos até conseguir chegar ao Sudoeste", atirou. Nunca desistiu e o público aplaudiu a persistência.
"Brilhantes diamantes" e "Virtudes e defeitos" anteciparam "Cicatriz", cantada ao vivo pela primeira vez e com a participação de Dino D'Santiago. Dos Dealema chegou "Escola dos 90", velha conhecida dos fãs que se avolumavam na linha da frente.
"Bate Palmas" veio com o elogio à cidade natal, Vila Nova de Gaia, quando no céu surgiram balões de S. João. Coincidência ou não, foi um detalhe que não escapou à plateia, que sabia o código postal 4400.
A noite terminou com o DJ holandês Hardwell - considerado o melhor do mundo nos últimos dois anos - e responsável por eletrizar a plateia durante uma hora e meia de concerto, que terminou ao som de "Komba" dos Buraka Som Sistema.
