
Possível aumento mencionado por José Diogo Albuquerque na terça-feira, em Mirandela
As declarações do secretário de Estado da Agricultura sobre possíveis aumentos no preço do pão podem contribuir para a especulação e são contrárias às tendências do mercado, segundo a Associação do Comércio e da Indústria de Panificação, Pastelaria e Similares.
Numa referência quer às afirmações de José Diogo Albuquerque quer às da presidente do Observatório dos Mercados Agrícolas sobre potenciais aumentos, a Associação do Comércio e da Indústria de Panificação, Pastelaria e Similares (ACIP) responde que "ambas as intervenções vão no sentido de ajudar à especulação e fazer uma inversão das tendências naturais do mercado".
A associação lembrou, através de comunicado, que nos últimos anos se tem verificado uma tendência de baixa dos preços dos cereais, a partir dos meses de Junho e Julho, prevendo uma redução entre os 13% e os 15% até Dezembro 2011.
Ressalvando que a ACIP "não pode nem deve intervir na formação de preços", o comunicado assinado pelo presidente da entidade, Carlos Alberto Santos, apelou aos comerciantes para que "não optem, no imediato, pela medida mais fácil, ou seja, aumentar os preços", de modo a que protejam os consumidores.
Um aumento de preços do pão "não é oportuno", por ser um bem de primeira necessidade, apesar de a ACIP compreender a necessidade de proceder a actualizações de valores, num contexto de dificuldades por parte das empresas.
"Vemos como solução uma luta feroz contra a especulação dos preços dos cereais, uma intervenção governativa que regule esses mesmos preços e apoie os agricultores portugueses na produção nacional", consta ainda no comunicado. "Não podemos continuar a importar 90% dos cereais que consumimos", rematou a ACIP.
