
Carlos Zorrinho
José Carlos Prata / Global Imagens
O PS exigiu, esta quinta-feira, explicações ao primeiro-ministro sobre a compensação paga pelo Estado à Lusoponte, no valor de 4,4 milhões de euros, apesar de em agosto esta empresa ter recebido portagens na ponte 25 de Abril.
Carlos Zorrinho, presidente da bancada socialista, adiantou que, além da exigência de explicações ao primeiro-ministro, o PS requereu já a presença urgente no Parlamento do secretário de Estado das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, Sérgio Monteiro.
A questão da compensação paga pelo Estado à Lusoponte ganhou maior polémica na quarta-feira, no Parlamento, depois de o primeiro-ministro ter sido questionado pelo líder do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã.
Pedro Passos Coelho disse ter recebido do seu secretário de Estado a informação de que a Lusoponte "precisou de ser indemnizada" porque "não ficou com o resultado das portagens que foram cobradas durante esse mês" de agosto e as receitas "foram retidas pelas Estradas de Portugal".
"Não há um duplo pagamento à Lusoponte, essa é a primeira coisa que quero aqui deixar clara", disse na mesma ocasião o líder do executivo - posição que o PS e todas as forças da oposição dizem não corresponder ao que se passou na realidade.
Para Carlos Zorrinho, neste momento, "está em causa a palavra de Pedro Passos Coelho".
"O PS já tinha percebido que este Governo era fraco com os fortes e forte com os fracos. O PS ficou agora a saber que a lógica deste Governo é custe o que custar para os portugueses e pague-se aquilo que se tiver de pagar com quem tem força", acusou o líder da bancada socialista.
Segundo o presidente do Grupo Parlamentar do PS, passou-se neste caso que "os portugueses fizeram um sacrifício, pagando as portagens em agosto, mas o Governo, por despacho, decidindo contra o parecer das Estradas de Portugal, resolveu indemnizar a Lusoponte".
"Estamos claramente perante um duplo pagamento à Lusoponte", sustentou.
Carlos Zorrinho frisou, ainda, que o PS já tinha formalizado um pedido de vinda do secretário de Estado dos Transportes à Assembleia da República para prestar esclarecimentos sobre este caso com a Lusoponte.
No entanto, na sequência de explicações contraditórias sobre este caso, os socialistas decidiram na quarta-feira remeter um ofício a pedir que essa vinda do secretário de Estado ao Parlamento "tenha caráter de urgência".
"Mas o que está em causa é sobretudo a palavra do primeiro-ministro. Pedro Passos Coelho deve uma palavra aos portugueses sobre este assunto", insistiu Carlos Zorrinho.
Interrogado sobre o motivo que levou o PS a não exigir essa explicação ao primeiro-ministro logo na quarta-feira, durante o debate quinzenal na Assembleia da República, o líder da bancada socialista deu a seguinte resposta: "Foi pedida [essa explicação] várias vezes [sobre o caso com a Lusoponte] e o primeiro-ministro [na quarta-feira], em plenário, mostrou claramente que não dominava o assunto. Ele [Pedro Passos Coelho] está muito preocupado com o custe o que custar para os portugueses, mas não está nada preocupado com o pague aquilo que se tiver de pagar para quem é forte neste país", disse.
Questionado sobre qual a solução defendida pelos socialistas para este caso, Carlos Zorrinho afirmou que o PS entende que "essa verba nunca deveria ter sido paga".
"Uma vez que a verba foi paga tem de ser devolvida. Aliás, esse foi um compromisso quarta-feira assumido pelo primeiro-ministro, que foi desautorizado pela Lusoponte", acrescentou Carlos Zorrinho.
